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Francisco Pestana, nascido para pintar

 

 

O artista plástico Francisco Pestana, natural de S. Romão, Vila Viçosa, sempre teve gosto e aptidão para o desenho já demonstrado nos seus tempos de criança. Na ausência do papel até o chão servia para exprimir o seu talento.

 

Entretanto Francisco Pestana não seguiu a via das artes, algo que deixou adormecer na sua vida até ingressar no serviço militar, nas Tropas Paraquedistas. Aqui na instituição começou a desenvolver novas técnicas de desenho e retrato de forma autodidacta.

 

A exigência militar faz com que cumpra uma comissão. De Tancos para Angola já no final da década de 60, inicia um curso de desenho e pintura por correspondência, desenvolvendo desenhos que ficavam expostos na caserna da sua companhia. Esta é uma das fases que o marcou  também em termos artísticos.

 

Ao regressar a Portugal, o artista decide aprofundar os seus conhecimentos e técnicas frequentando aulas de desenvolvimento das artes na Escola de Artes António Arroio em Lisboa.

 

Teve como mestres os pintores Jaime Silva, Francisco Aríztia, e Carlos Henriques.

 

Francisco Pestana domina várias técnicas de pintura, sendo que a sua preferida e grande paixão a Aguarela.

 

Em termos de estilos, confessa que não tem um estilo favorito, é o que lhe apetecer pintar, seja retrato, locais, flores e natureza.

 

Os seus trabalhos já passaram por várias galerias de arte por todo o país. De forma permanente tem presença no Museu de Benavente, Museu de Lagoa, Parque Natural de Sintra-Cascais, Instituto Nacional de Habitação, Comando da Área Militar de S. Jacinto, B.E. Paraquedistas Tancos, Câmara Municipal de Vila Viçosa e em diversas coleções particulares.

 

Quanto a exposições temáticas e temporárias tem um leque muito mais abrangente de locais por onde as suas pinturas já passaram em território nacional.

 

Inclusivamente o pintor já foi premiado na V Mostra de Artes Plásticas de Salvaterra de Magos, e no 1º Concurso de Pintura dos 50 Anos de Para-quedismo na Área Militar de S. Jacinto.

 

 

AMMA: A arte de desenhar e de pintar já nasceu consigo? Na sua infância já desenhava. Quais eram temas que mais gostava de exprimir?

 

Francisco Pestana:  Desenhava o que via em meu redor , os pássaros, as flores, tudo o que se relacionava com a vida no campo.

 

AMMA: O desenho no chão era uma das suas técnicas mais utilizadas? Porquê?

 

FP: Porque não tinha outros materiais .

 

AMMA: O que o desmotivou para estar alguns anos sem se dedicar às suas artes?

 

FP: A necessidade de ajudar a família com o trabalho no campo e a falta de contacto com as artes .

 

AMMA: Retomou a pintura já na Escola de Tropas Paraquedistas. Foi por influência de alguém?

 

FP: Sim , conheci  lá um camarada de armas que fazia retratos  por encomenda e viu que eu também tinha o gosto e jeito para desenhar e incentivou-me a recomeçar .

 

AMMA: Já em Angola frequenta um curso de pintura por correspondência. Naquela conjuntura de guerra e tendo em conta a época em que estava como é que isso era possível?

 

FP:  Nos momentos de descanso, quando nos encontrávamos na caserna li numa revista um anúncio de um curso de desenho e pintura por correspondência, no qual me inscrevi e a partir daí desenvolvi as aulas até regressar a Lisboa.

 

 

AMMA: A sua galeria era a caserna da companhia. Os seus camaradas de armas incentivavam-no para continuar a desenhar e pintar? Que comentários faziam?

 

FP: Alguns até me pediam para lhes fazer retratos dos familiares mas o tempo era pouco e as oportunidades também.

 

AMMA: Teve envolvido no vosso Jornal da Caserna. Como é que surgiu a ideia e como é que o dinamizavam?

 

FP: A ideia foi de um nosso camarada, José Apolinário, que também se inscreveu nesse mesmo curso. Desenvolvíamos ideias entre nós, com o conhecimento e agrado dos nossos superiores .

 

AMMA: O seu serviço militar foi algo que o marcou muito. A vossa companhia continua a reunir-se com regularidade? Recordam os vossos momentos na guerra e algumas curiosidades da vossa passagem por Angola?

 

FP: Sempre com muitas histórias para contar e recordar  os momentos lá passados principalmente os que nos marcaram pela positiva.

 

 

AMMA: A pintura que fez alusiva aos 50 anos das Tropas Paraquedistas saiu-lhe do coração? Foi emotivo e espontâneo, ou conseguiu idealizar o que queria fazer antes de começar?

 

FP:  Foi criativo e espontâneo baseado nas imagens por nós vividas que estão sempre na   minha mente.

 

AMMA: Fale-nos um pouco sobre essa pintura, e como foi a entrega dela à vossa “Casa Mãe” dos Paraquedistas.

 

FP: Foi emotivo tanto da minha parte como de todos os Paraquedistas  que assistiram a essa Homenagem.

 

 

AMMA: Disse-nos que não tem um estilo definido, é muito dinâmico. Entre retrato, paisagens naturais, flores e cidades, o que mais lhe dá prazer pegar num acrílico ou uma aguarela e materializar o que tem em mente?

 

FP:   Depende do meu estado de espirito no dia em que me jogo aos pinceis mas em geral  o meu gosto vai sempre mais para trabalhos em Aguarela.

 

 

AMMA: O que o leva a gostar mais de trabalhar com o acrílico e a aguarela?

 

FP:  Tive de desistir de pintar a óleo, por motivos de saúde, e substitui por pintar a acrílico mas a Aguarela  é como disse um Mestre  “O Óleo é muito obediente, a aguarela é mais difícil de controlar, é desafiante. Pintar a óleo é como treinar um cão mas pintar a aguarela é como treinar um gato.”

 

AMMA: Costuma participar mais em exposições pessoais ou coletivas?

 

FP:  Apesar de gostar de fazer exposições individuais, neste momento estou a participar mais em coletivas.

 

AMMA: Qual é o formato que mais gosta e porquê?

 

FP:  Em geral em aguarelas uso formatos entre 30 x40 cm e nos acrílicos uso vários formatos.  É mais prático mesmo para emoldurar e expor .

 

 

AMMA: Nas exposições fixas foi a convite das galerias?

 

FP: Sim, geralmente assim funciona nesta área .

 

AMMA: Como é para si correr o país a mostrar a sua arte?

 

FP: Gratidão e orgulho neste meu percurso mostrando a minha arte .

 

 

AMMA: Nos concursos que participou já foi premiado por duas vezes. Conte-nos um pouco dessas experiências.

 

FP:  Muito gratificante pelo reconhecimento do meu trabalho e obriga-nos a exprimir e por a nu os nossos sentimentos.

 

AMMA: Que projetos tem para o futuro no âmbito das artes? Além de continuar a pintar, pretende passar a alguém os conhecimentos adquiridos?

 

FP:  Já o estou fazendo, dando aulas de pintura .

 

AMMA: O que quer dizer aos nossos leitores que estejam num patamar de indecisão no ingresso à vida de artista plástico?

 

FP: Que continuem a sonhar e a voar no nosso universo porque a Arte é Cultura. Desistir Nunca!

 

Texto: Pedro MF Mestre

Fotos: Francisco Pestana

 

 

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 9 de julho de 2020 – 12:05:42

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