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Dean Karnazes (o homem da ultra-maratona)

 
 
 
com a colaboração de
Peter Cooper
 
 
 
 
 
 
- Há quem o considere um verdadeiro "super-homem". Você não se considera invencível. Para si, quem é o Dean Karnazes?
 (Risos) Sou muito longe do “super-homem.”
Até me considero um bocado abaixo do “normal.”
O único dom que tenho, é que gosto muito do que faço.
Quando se está apaixonado com o que se faz, trabalha-se mais e melhor para sermos o melhor. Sou um tipo comum com uma fome para viver fora de comum.
- Quando é que começou este seu interesse por desafios extremos, ultra-maratonas, etc? 
Pode-se dizer que começou quando tinha seis anos e corria para casa do jardim infantil.
Os educadores acharam-me um bocadinho diferente mesmo naquela altura.
Mais tarde, corri 30 milhas (mais ou menos 50k) no dia em que fiz 30 anos e tem sido uma vocação focada desde então.
- Qual a maior distância seguida / maior tempo seguido que já correu? 
350 milhas (220 kms) e 82 horas.  Sou maluco, eu sei.
- Qual o seu maior "feito" atlético, até ao momento? E qual aquele que seria o "top of the top" se alcançado? 
Diria que correndo 50 maratonas em cada um dos 50 dos Estados Unidos em 50 dias seguidos foi o cumprimento dum objectivo bem alto.
Embora, tenho que admitir, o meu melhor momento na corrida foi numa prova de 10Km em que corri com a minha filha no dia em que ela fez 10 anos.
Nada pode superar aquilo.
- Já correu em condições atmosféricas extremas (tanto a nível de calor como de temperaturas negativas) atingindo limites tidos como impossíveis para um ser humano. Como é que consegue preparar o corpo e a mente para esses choques térmicos?
O que eu faço é adaptar o meu treino para preparar o meu corpo previamente.
Por exemplo, antes de correr no Vale da Morte – onde as temperaturas subiram até 55 graus – fiz séries de flexões e abdominais na sauna para simular a clima que ia encontrar na prova.
- O Dean tem recebido muitos e diferentes prémios, ao longo da sua carreira. Como encara a recente distinção da revista Time que o colocou numa excelente posição entre os cem homens com mais influência a nível mundial? Quando parar de correr, tenciona seguir a carreira política ou outra? 
(Mais risos) Ser eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME foi, para mim, uma surpresa completamente inesperada.
Não me vejo como um pregador.
Só estou a fazer o que gosto e tento seguir um estilo da vida saudável, activo, e sempre com consideração para o ambiente.
Suponho que pessoas simpatizem com as minhas convicções sinceras e tirem força do meu exemplo.
Carreira política? Não sei.
Faço parte duma delegação do Estado de California para promover o bem-estar da juventude.
Ofereço gratuitamente o meu tempo e a minha ajuda como um serviço honorário.
Quanto a receber pagamento como um político profissional... não é para mim.
- Quando é que visitou Portugal pela primeira vez? Daquilo que conhece, que impressão tem sobre o nosso país?
Visitei Portugal pela primeira vez no verão de 2007.
Tudo que eu vi e senti era tão parecido com a minha terra natal São Francisco e fiquei logo apaixonado.
O meu afecto aprofundou-se ainda mais quando conheci melhor o povo português.
Admiro o espírito dos portugueses e a maneira que eles encaram a vida, são atitudes semelhantes às minhas e da minha família.
- Ao lançar o seu livro "O homem da ultramaratona" em Portugal, qual o seu objectivo? Como tem sido a aceitação do livro, desde o seu lançamento? 
Não tinha muitas expectativas, então fiquei absolutamente encantado com as reacções.
Recebo diariamente uma grande quantidade de mensagens de pessoas em Portugal, o que me emociona bastante.
Na feira da Meia Maratona de Lisboa, este ano, estiveram centenas de pessoas à minha espera quando fui fazer uma sessão de autógrafos.
Qualquer coisa no meu livro tem ressoado com pessoas em Portugal, e acho que isto revela que, em muitos aspectos, somos almas gémeas.
Um dos mais gratificantes elementos relacionados com a tradução portuguesa do meu livro é a minha amizade com o meu editor em Portugal, Peter Cooper.
Peter é muito dedicado como atleta e corredor e temos construído uma camaradagem duradoura, pela qual estou eternamente grato.
 - Que aspectos destaca nesta sua obra? 
O livro interessa-se muito com o tema da corrida, mas tem muito mais a ver com o tema da vida.
A corrida torna-se uma metáfora para a vida e estou constantemente surpreendido pela quantidade de não-corredores que me contam que gostaram do livro.
A mensagem principal é para seguir o teu coração em cada aspecto da vida.
Quer na pista, quer na arena de negócios ou qualquer outro lugar, as lições são universais.
- No dia 16 de Março, participou na Meia Maratona de Lisboa, passando por uma ponte igual à de São Francisco. Sentiu-se "em casa"? 
No dia anterior á prova em Lisboa, atravessei a ponte “Golden Gate” em São Francisco a correr – literalmente!
Logo a seguir, apanhei um voo para Lisboa e foi como um "dejá vu" absoluto!
- Preocupa-se com diversas questões sociais. A obesidade infantil é uma delas. Na prática, como funciona o "Karno Kids" que visa ajudar a combater esse problema muito actual? 
A questão da obesidade infantil e a falta de actividade física tem virado um problema crescente da ordem internacional.
“Globesidade,” como nós agora chamamos o fenómeno, atinge quase 35% das crianças no mundo inteiro, em países desenvolvidos.
A “Karno Kids” angaria fundos para apoiar programas que combatem esta tendência infeliz e tenta inverter a inclinação para crianças ficarem complacentes e inactivas.
O nosso lema é “No Child Left Inside” (“Nenhuma Criança Deixada no Interior” em tradução livre).
Temos que incentivar crianças para brincar ao ar livre e manterem-se activos.
O mundo seria muito melhor se conseguíssemos isto.
- Durante o ano, além dos seus desafios/competições, o Dean percorre milhares de quilómetros, em viagens para os quatro cantos do planeta. Como fica a família, no meio de tudo isto? Sente-se um homem solitário? 
Sempre incluí a minha família quando possível.
Esta dádiva incrível que tem abençoado a minha vida, tem também conferido à minha família aventuras e experiências que eles nunca imaginavam.
O que nós temos aprendido é que somos todos uma verdadeira comunidade global.
O espírito da corrida e camaradagem quebram barreiras da nacionalidade e raça e conseguem juntar pessoas.
Toda a minha família tem vivido o poder e esperança deste fenómeno e estamos todos gratos.
- Alguma vez o chamaram de "Forrest Gump"? 
Forrest Gump? Quem é ele? (mais risos)
Sim, comparam-me muito a ele.
É engraçado.
Apesar do facto de Forrest Gump ser uma personagem fictícia, parece que partilhamos muitas das mesmas características.
- Em alguns fóruns da internet, discute-se a possibilidade de existir uma disputa entre o Dean Karnazes e o Yiannis Kouros numa prova de montanha. É viável? 
Yiannis Kouros é um herói meu da longa data.
Gostava de conhecê-lo.
Somos os dois gregos, os nossos antepassados são da mesma aldeia na Grécia, e por isso sinto-me muito ligado ao Yiannis.
A minha admiração por ele é tremenda e, em vez duma “disputa,” gostaria de nos ver juntos a promover paz no mundo e harmonia através daquilo que adoramos fazer.
Acredito que a mensagem de solidariedade e irmandade é mais poderosa e beneficiaria muito mais gente.
- Que mensagem quer deixar para os internautas que leiam esta mensagem e que se consideram seus fãs?
Os Portugueses têm um ditado fantástico: "Quemcorre por gosto, não cansa" (em inglês traduzo como “Who runs for pleasure, never gets tired”).
 Acho que diz tudo.
 

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segunda-feira, 19 de agosto de 2019 – 04:12:36

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