13 anos ao serviço do Desporto em Portugal

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Artur Domingos

 
Quase com 40 anos de idade, Artur Domingos foi um atleta de muito bom nível há mais de uma década atrás. Hoje, depois de um afastamento por lesão, tenta recuperar parte do tempo “perdido”, sem, no entanto, nunca deixar de sonhar cada vez mais alto e de se empenhar em, novos desafios em todas as suas actividades. E são muitas. Eis Artur Domingos na primeira pessoa.
 
 
– Fale-nos da sua juventude e de como se iniciou no desporto e no atletismo, mais em particular.
 
—Nasci em Tavira, mas vivi no interior do Algarve (15 kms da praia) S. Catarina da Fonte do Bispo. Privilégios como electricidade, saneamento, nada existia. O desporto era correr atrás das perdizes e coelhos.
Durante a minha passagem pela Escola de S. Brás de Alportel (5.º e 6.º anos), sempre fiquei nos primeiros lugares nas "corridas" que organizei... Mais tarde, na Escola Secundária de Tavira, fui preterido pelos professores, porque não tinha velocidade, não sabia saltar, etc, apenas corria.
Claro que corria e ganhava ... resistência.
Organizei umas provas de Atletismo com os amigos que pertenciam ao meu clube de Xadrez,  mas os percursos eram tão dificeis que eles desistiam (ironizando). Sempre tive jeito para o futebol... Chutava para a direita e a bola ia para a esquerda. À baliza era o melhor, pois, quando ficava parado, ainda defendia... Em 1984, assisti á vitória do Carlos Lopes na Maratona em directo, primeiro, via Marrocos e, depois, pela RTP.
 
 
– Depois, o “bichinho” não parou de crescer e é com sentimento e emoção que o nosso entrevistado relembra essa fase da sua carreira.
 
— Fui aos Fuzileiros fazer testes e "deram-me" umas "alpercatas" para correr e a indicação era correr rápido e assim fiz... Fui segundo atrás dum rapaz vestido à Sporting e que corria um pouco mais que eu. Estava então com 20 anos.
Como fazia serviço nos Bombeiros Voluntários, vi um cartaz que anunciava uma "Excursão à II Corrida da Baía de Monte Gordo", 8 kms de prova na praia. Falei com um Bombeiro (João Meira) que organizava a viagem e disse que queria ir correr. “Tens de treinar”, foi a resposta. Assim fiz e claro que comecei a treinar, dia 27 deJulho de 1987. Fiz duas semanas de treinos e lá fui para a estreia, 8 de Agosto de 1987.
Na prova, recebi todas as indicações da equipa e era mais um entre os mais de 500 que alinharam á partida. A equipa era composta por experientes atletas. Terminei em 151 (32´02") entre os 551 que chegaram ao fim, fui o 3.º da equipa e comuniquei logo que “para o ano, chego em 50”.
A segunda prova foi uma Meia Maratona em Setembro, S. João das Lampas. Fui segundo da equipa em 1h25´35’’. Nesse resto de ano, participei em mais 8 provas sendo que, na Meia, fiz 1.20'19’’ (Açoteias), 1h19’34’’ (Nazaré) e 1h18’02’’ (Lagos).
 
 
– A prosa continua.
 
— Em meados de Dezembro, peguei na minha motorizada e vim a Quarteira falar com um treinador, Manuel José Correia, que me escutou e mandou passar no dia seguinte. De minha casa a Quarteira eram cerca de 40 kms. Ele passou-me um plano de treino e mandou-me parar duas semanas.
Disse que estavam a acabar comigo. Comecei, então, a treinar e os resultados começaram ainda a melhorar mais: 8.º nos Reis em Faro (Prova aberta), 8.º na Amadora, ...
No ano de 88,fiz a estreia na pista e fui Campeão Nacional da III Divisão por Equipas. No Inverno fiz 1h12’05’’ na Meia Maratona de Ayamonte e em 1989, fui Vice Campeão Nacional no Corta Mato Militar,
Campeão Regional Absoluto de 1500 e 4x400, Vice de 800 e 4x100, Vice Campeão Nacional de Equipas da II Divisão em Pista e Campeão Regional de Equipas de Pista.
Seguiram-se muitas vitórias em provas de estrada e pista. Nos Jogos Mundiais da Paz que decorreram em Ifrane, Fez e Méknés (Marrocos), fui 4.º nos 1500 e 5.º nos 800. A passagem para o Areias de S. João, com o fim do GD Vilamoura, e numa época a apostar novamente na pista, ganhei por várias vezes as minhas séries de 1500 nas Noites Quentes da Maia, no Jamor, etc.
 
 
– Depois, começaram os problemas ...
 
— Em 1995, tive uma paragem forçada  em grande parte por problemas com a minha empresa e algum desalento. Vim viver para Lisboa e recomecei a treinar sozinho em Abril de 1996, em Rio de Mouro, Mem Martins. Na primeira prova em que participei,  fui 9.º da Geral, em Rio de Mouro e, na  Lagoa de Santo André, fiquei em quinto. Comecei a treinar com o meu amigo Pedro Rocha e ingressei no GDR Conforlimpa. Fiz a minha primeira participação numa prova de 25 kms "Critérium" e fiz 1h25´, fui 11.º em Alverca, etc. Em 1997, regressei ao Algarve, problemas com a empresa e saúde familiar a ditarem mais uma vez a sua lei.
Na época seguinte, estive como individual mas corria com o Grupo da Salema e em Espanha fui sempre um candidato aos melhores lugares nos Crosses, sempre entre o 5.º e o 10º lugares. Ajudei a fundar o CA Olhão e, na época seguinte, respondo ao apelo do meu amigo Manuel Correia e volto a treinar com ele e ajudo a formar a secção de atletismo do CDR Quarteirense. Comecei a preparar a Maratona..., o Manuel dava-me grande futuro na distância.
Uma lesão em 2000, veio travar os treinos e a doença do Manuel (cancro, faleceu em 2004) levou-me a deixar a modalidade. Era a sombra por detrás do CDQR e do Manuel, fazia planeamentos, mas estava afastado. Em 27 de Julho de 2004, com 74 kgs, recomecei a treinar e quando ia dar a boa noticia ao Manuel ele faleceu. Fiz-lhe uma promessa no leito de morte que estou a cumprir: "A sua Obra continua".
 
 
– Continua e tem crescido ...
 
— O reinício foi muito difícil, ninguém me quis ajudar. Um amigo (o marchador Jorge Costa), sim ajudou-me, e deu-me esperança. Comecei a treinar com o Paulo Murta, fiz outra vez uma meia maratona em 1h29´ .... com 73 kgs e, um mês depois, 1h19´02’’ em Ayamonte, mas uma nova lesão num calcanhar levou-me a parar. Em 2005/2006,  ingressei na CB Faro e fui 11.º no Nacional de 10 000, participei no Nacional de Cross, fiquei nos 20 da geral em Monte Gordo, ... Regressei ao CDRQ e fui 8.º no Nacional de Maratona. Já fiz 1h16’ na Meia em treino e estou a preparar com cuidado os 10 000 e, mesmo tendo adiado a segunda tentativa na maratona, acredito que sim, que é possível.
 
– Quais os seus objectivos em termos atléticos? O que tenciona ainda conseguir nos 10000 m e na maratona?
 
— Bom, vamos por partes. Nos 10 000, primeiro, tenho o objectivo de acabar o Nacional,  pois não preparei a época para isso e como o Nacional é mais cedo, mas acredito que um tempo na casa dos 32´30" está ao meu alcance.  A maratona com este pequeno "contratempo" (febre, dor num dente e uns dias de paragens) ficou hipotecada por agora,  mas, em Setembro/Outubro, estarei de novo com esse objectivo e um tempo rondando as 2h 20’ e picos está acessível.
 
 
– Uma das grandes apostas do Quarteirense é o atletismo juvenil. Quantos jovens praticam atletismo no clube? Como é feito o recrutamento desses jovens?
 
— De momento, mais de 50 jovens de várias idades mas estou a preparar-me para passar os 150 em breve. Em norma, o recrutamento é por convite dos amigos, mas estou a encetar demarches para trabalhar junto das escolas. Também vou a provas de escolas observar os talentos e, sempre que olho para um jovem, procuro saber as suas aptidões. Organização de eventos visando a cativação
 
 
– Fale-nos do crescimento da escola de atletismo do Quarteirense e quais os seus objectivos para o grupo de jovens com quem trabalha
 
— A escola de atletismo é uma realidade que já começa a mostrar frutos, o grupo cada vez maior de jovens está a mostrar qualidades e a trabalhar todas as disciplinas. Pretendo formar, neste grupo, 2/3 atletas de nível olímpico.
 
 
– Para os escalões mais velhos (seniores), quais as metas do clube a curto / médioprazo?
 
— Procurar formar a equipa com um custo baixo, mas com grandes benefícios para os atletas, pois temos posto médico, etc... e a nível de pista, esta época, já vamos estar presentes no apuramento de clubes no Seixal em masculinos e femininos. Em 2/3 épocas, pretendo chegar a posição de destaque e formar equipa com os mais velhos a imporem conhecimento aos jovens que estamos a formar.
 
 
– O Artur também organiza provas. Como lhe surgiu a ideia de organizar o Nacional de Estrada em Quarteira?
 
— O Nacional de Estrada foi uma forma de chamar a Autarquia e a população para o atletismo, pois durante anos encarava-se o atletismo em Quarteira - Loulé como "uns miúdos entretidos a brincar às corridas", nunca se tinha encarado o atletismo como um desporto e como aglutinador de massas. Pensei e consegui.
 
 
– Que balanço faz desse evento?
 
— O evento foi muito positivo, pena que muitos pormenores ainda não estejam articulados a nível nacional. O reflexo deste evento será sentido nos próximos tempos, quando outros eventos se realizarem. Diariamente, vamos sentindo os reflexos. O grande destaque vai para os jovens que se empenharam para que a sua secção tivesse sucesso e êxito. Claro que temos que dar uma palavra para o Sr. José Mendes, Presidente da Junta de Freguesia, pelo seu empenho em colaborar e incentivo, o CDRQ que na pessoa do seu Presidente, Sr. José João, me deu liberdade para executar a obra. Não querendo deixar ninguém atrás, o Prof. Nuno Neves, que, aliando a sua juventude e conhecimento, sempre esteve presente e o Rui Costa, director técnico da Associação de Atletismo do Algarve.
 

– Fale-me um pouco das próximas organizações do Quarteirense (Milha, Meia-Maratona, etc.).
 
— Bom, as organizações de eventos permitem mobilizar a população. Por isso, vamos fazer o meeting dia 12, já fiz um em 2005. A 1.ª edição da milha urbana fez-se há mais de 5 anos, este ano vamos fazer nocturna. A Meia Maratona de que se fez duas edições, a estafeta de marcha atlética em Outubro, o Km Jovem, etc. Finalmente, em Portugal. chegou-se á conclusão que andar á procura de Obikwelus é utopia, pois basta ver o perfil físico e onde nasceu. Claro que no meio-fundo e fundo podemos ter matéria prima e o km Jovem é bom para a detecção. A nível de disciplinas técnicas, julgo que também se está no bom caminho e a detecção é imprescindível, também tenho algo planeado nesse sentido, mas só revelo lá mais para a frente.
 

– É um homem bem sucedido profissionalmente, com uma família feliz, com bons resultados enquanto atleta, organizador de provas, etc. O que o faz "correr” em tantas direcções?

— Eu não corro em várias direcções, eu liberto os sonhos, porque quem não sonha não pode realizar nem concretizar. Recentemente, colaborei na reactivação da APOPA, onde sou um dos vice-presidentes e acredito que o atletismo e as organizações vão mudar com esta nova direcção, pois a própria Federação, onde temos assento, partilha das minhas ideias. A minha filosofia é a dos 5 pilares: Saúde Pessoal, (correr, treinar. etc.)  Saúde Social (equipa, apoiar a juventude e a população), Saúde Mental (estar aberto a novas mudanças e formações),  Saúde Familiar (ajudar os filhos e a família a darem valor às coisas boas da vida) e Saúde Financeira (com as novas tendências de mercado, é possível conseguir viver futuramente com mais à vontade).

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sábado, 25 de maio de 2019 – 21:38:03

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