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João Ferrão (Évora)

  
 
 
 
   JOÃO FERRÃO
 
 
   Associação de Atletismo de Évora
 
 
 
 
Breve Biografia:
 
João Fernando Abreu Ferrão
Data Nasc. 19/11/1957
Curso Geral de Administração e Comércio
Treinador 3º Grau
Treinador de 2º Grau de Meio Fundo e Marcha
Curso de Formador de Monitores
          
 
- Para si, qual o perfil que um DTR deve possuir e que principais funções lhe estão acometidas?
 
O D T R deve ser uma pessoa dinâmica e empreendedora, que goste e conheça profundamente a Modalidade, assim como a região e que tenha espírito de diálogo e de alguma liderança.
As funções dos DTR(s) são várias, algumas das quais estão perfeitamente identificadas:
 
- Formular e apresentar a estratégia de desenvolvimento da Modalidade no Distrito;
 
- Elaborar o plano de actividades, formação e competição;
 
- Organizar e coordenar as várias actividades competição e formação, nomeadamente com especial atenção os Estágios/Concentrações, Acções de Formação e Cursos de Monitores;
 
- Participar na programação e organização do Plano de Zona e coordenar tecnicamente quando a sua Associação liderar;
 
- Seleccionar, coordenar e acompanhar as selecções Distritais;
 
- Elaborar e divulgar relatórios técnicos das actividades realizadas e um relatório técnico final por época;
 
- Organizar e manter actualizados os dados estatísticos da Modalidade;
 
- Prestar acompanhamento técnico a clubes, treinadores e atletas;
 
- Desenvolver esforços no sentido de dinamizar as entidades distritais, estabelecendo parcerias importantes, nomeadamente com o Desporto Escolar e Autarquias;
 
- Colaborar nas acções de âmbito nacional, para as quais venha a ser solicitado.
 
Para além dos aspectos referenciados há outros que os DTR(s), nomeadamente das Associações regionais com menos recursos fazem que extravasam e ultrapassam completamente o que devem ser as suas competências mas que são necessários face ás dificuldades de vária ordem com as quais estas Associações estão confrontadas. 
 
- Quando assumiu o cargo, como encontrou o atletismo na sua região?
 
Quando assumi o cargo não havia atletismo de uma forma organizada no Distrito, convém fazer aqui uma pequena introdução para melhor se perceber qual era o estado da Modalidade, no inicio da década de 80 havia em Évora a ADADE (Associação de Desportos Amadores do Distrito de Évora), a qual tinha no seu seio várias modalidades, mas o Atletismo não fazia parte, pelo que fui convidado entre outras pessoas para uma reunião cujo objectivo era a criação do Departamento de Atletismo dentro da ADADE, tendo eu a partir dessa reunião liderado esse processo com a colaboração de 3 pessoas e é assim que surge em 1984 o Atletismo no Distrito de uma forma organizada, sendo eu convidado pela DGD para técnico da área do atletismo nesse ano, cargo que assumi primeiro através desta entidade e depois pela FPA, com a passagem destas responsabilidades para as Federações.
 
Portanto o atletismo no distrito estava praticamente no ponto zero, havendo apenas algumas entidades que organizavam pontualmente uma ou outra prova de estrada.
 
- Que medidas tomou, para inverter a situação encontrada, no caso desta não ser do seu agrado?
 
Obviamente foi necessário implementar várias medidas:
 
            - Estabelecer vários contactos com as mais diversas entidades;
 
- Criar secções de atletismo em clubes já existentes, numa 1ª fase e diligenciar no sentido da criação de clubes novos em Concelhos onde não
existiam colectividades com interesse no atletismo e respectiva filiação;
 
- Criação de um quadro competitivo privilegiando os torneios abertos;
 
Em suma iniciar a Modalidade, no entanto não foi uma tarefa fácil até porque nos anos seguintes assumi sozinho todo o funcionamento do Departamento, tarefa que não foi fácil e que só foi possível superar pela paixão pela Modalidade.
 
 
- Considera-se satisfeito(a) com as infra-estruturas desportivas existentes na área geográfica da sua Associação para a prática da modalidade (nas suas diversas vertentes)?
 
Não, convém recordar que até há 2 épocas atrás, éramos o único distrito do País, incluindo também as Regiões Autónomas, que não tínhamos uma pista de sintético. Hoje temos uma pista em Vendas Novas, com 8 corredores, com todas as valências para a prática da Modalidade, e mais recentemente uma de 4 corredores em Borba, a qual ainda não recebeu qualquer actividade, nem tem qualquer tipo de apetrechamento. Ao nível da competição temos o problema resolvido, embora haja uma super utilização da pista de Vendas Novas, com os efeitos negativos que isso acarreta, ao nível de desgaste e de enquadramento por parte da Autarquia, com a agravante de haver clubes que são forçados sistematicamente a grandes deslocações para ir á pista o que se traduz em acréscimo de despesas.
 
Ao nível do treino temos 11 Concelhos sem uma única infra-estrutura adequada á prática da modalidade, o que infelizmente tem forçosamente que se reflectir em termos técnicos pela negativa, é inadmissível por exemplo que a Capital de Distrito, Évora, esteja incluída nesses 11 Concelhos. 
 
Em termos de infra estruturas defendo que deveria haver uma politica concertada de construção de forma a dotar os Distritos de 2/3 pistas com todas as valências para a prática global da Modalidade e depois uma estrutura simplificada por cada Concelho, de preferência junto das escolas que possibilitasse uma correcta aprendizagem da modalidade com as meios necessários, sendo importante que esta infra estrutura estivesse preferencialmente ao serviço da escola e das colectividades do respectivo concelho.
 
Aproveito para sugerir que sempre que alguma entidade pretenda iniciar um processo de construção de uma infra estrutura para a prática do atletismo é de toda a conveniência dar conhecimento ás Associação Distrital, que em conjunto com a FPA poderão colaborar dando algumas indicações técnicas da máxima importância, evitando assim alguns erros grosseiros que infelizmente ainda acontecem.
 
- Na sua Associação, como é feita a detecção de novos talentos e o acompanhamento dos jovens promissores?
 
Os talentos como o próprio nome sugere são jovens especiais que só aparecem muito esporadicamente, até porque resultados de nível elevado em camadas muito jovens não significa forçosamente talento, podem estar relacionados com outros factores, como o desenvolvimento precoce, no entanto sempre que aparece um jovem promissor é na medida do possível encaminhado para o clube da sua área de residência e é-lhe dado todo o apoio possível pelo clube se este tiver capacidade técnica para tal ou pela AAE ou ainda por outro técnico que o DTR indique, em consonância com o clube de acolhimento.
 
- Como perspectiva o futuro do atletismo local, a curto prazo?
 
O Atletismo não está desligado do meio, no que diz respeito a aspectos sociais e outros que acabam por influenciar o seu desenvolvimento e o seu futuro. Todavia, mesmo face á actual conjuntura económica, acreditamos num futuro positivo com mais clubes e mais atletas filiados, assim como mais técnicos e melhor apetrechados para desenvolverem o seu trabalho, embora tudo isto tenha que ser fruto de muito empenho e dedicação, no sentido de encontrar mecanismos que possam potenciar a motivação dos agentes desportivos, que na esmagadora maioria são autênticos “carolas” que tiram tempo e espaço da sua vida familiar para estarem ao serviço da comunidade, sem qualquer tipo de reconhecimento ou contra partida.
 
 
- Qual tem sido o apoio prestado pelas autarquias locais à prática da modalidade?
 
Relativamente ao apoio prestado pelas Autarquias á Modalidade, há situações extremas, com Câmaras a colaborar de uma forma exemplar como é  o caso de Vendas Novas, e outras que vão dando dentro do possível o seu contributo como é o caso de Évora / Montemor / Reguengos / Mora / Portel e as restantes que apenas vão colaborando pontualmente, e algumas verifica-se que há já alguns anos que não prestam qualquer tipo de apoio ou colaboração, no entanto a AAE em geral e eu em particular, estou sempre receptivo em colaborar com qualquer autarquia  ou outra entidade que pretenda promover e divulgar a modalidade.
 
Para além da colaboração dos Municípios temos um protocolo de cooperação assinado com a Associação de Municípios do Distrito de Évora, o que permitiu a criação do Critério de Corta Mato Paulo Guerra e apresentamos á dois anos um projecto Plano Integrado de Formação e Desenvolvimento  do Atletismo que não tem sido implementado por dificuldades financeiras das autarquias, mas que numa próxima oportunidade tentaremos levar por diante este projecto. 
 
- Na sua região, o tecido empresarial apoia a realização de eventos?
 
Infelizmente não, só pontualmente se consegue alguns apoios, até porque as empresas procuram apostar nas modalidades ás quais os órgãos de comunicação social dão mais destaque, a nível nacional o que se reflecte negativamente, também a nível distrital.
 
- Quais os meios de Comunicação Social que normalmente e frequentemente divulgam as vossas iniciativas?
 
Os meios de comunicação social que normalmente divulgam as n/iniciativas são:
            - RADIO TELEFONIA
            - RÁDIO RENASCENÇA
            - RÁDIO ANTENA SUL
            - DIÁRIO DO SUL
            - ATLETISMO MAGAZINE
            - REVISTA ATLETISMO

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domingo, 24 de março de 2019 – 01:05:14

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