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São José abriu, São José fechou

Poderia bem ser um título de acordo com a quadra festiva que agora se inicia, mas tudo não passa de uma mera e fortuita coincidência (que eu aproveitei, claro). Este “santo”, com ares de porteiro, apenas dá inicio à designação da freguesia de Coruche - São José da Lamarosa - onde se disputou a prova de encerramento da época, III Troféu Sorraia, que por obra e graça do destino foi o mesmo mapa que abriu a presente temporada.

Visitar terrenos já explorados, onze meses depois, trazer-me-ia alguma surpresa, ou pelo contrário, seria protagonista de cenas exaustivamente repetidas?

A minha participação em Janeiro, não tendo sido do outro mundo, também não foi das piores coisas que fiz. Julgo até, que realizei uma das melhores provas da época. A ideia com que fiquei, foi que este mapa me assentava que nem uma luva. Baixo relevo, mas com bastantes detalhes, parcas zonas de floresta, imensa vegetação rasteira, contudo bem “aparada”, extensas áreas abertas (único factor que me prejudica, pois acelera o processo) e uma excessiva quantidade de caminhos. Ah! Já me esquecia…”pedrolas”…nem vê-las. O ideal para as características do “berdadeiro”.

No entanto, desta vez o percurso estava traçado sobre distância longa (6.800 metros), o que pressupunha mais exigência física, em detrimento dos pormenores técnicos. Atendendo, que me encontro num período de abstinência aos treinos, cheirava-me a tareia pela certa, pois fisicamente estou um trapo.

Mas c`um raio, eu quero lá saber é disso. Não me desloquei a Coruche para laurear a pevide, no entanto também não fui para me sagrar campeão de coisa nenhuma. O prazer haveria de suplantar o sacrifício e com a bênção deste S. José ribatejano, com certeza não iria ter razões de queixa.

Com as partidas colocadas numa subida, senti de imediato que a psique teria de ter muita paciência, porque do corpinho só emanavam “ais” e “uis” e muito sufoco. As pernas tremiam que nem varas verdes e o bafo parecia o de um asmático em plena crise. Para me acalmar as ânsias, o esporão do primeiro ponto surgiu sem grande contratempo. Uff! Vamos lá iniciar a maratona de reentrâncias do dia.

Tomei uma opção de azimute puro e duro, subindo e descendo um bom grupo de pequenas colinas, todavia o aconselhável seria ter aproveitado um caminho quase paralelo. A pernada foi tecnicamente interessante, mas também devo ter gasto mais tempo que o resto da maralha (pois! os splits não mentem).

Estando eu tão debilitado, porque carga de água me pus logo a inventar com opções “profissionais”, num verdadeiro masoquismo saloio? Assim vou sofrer muito mais, pois a missa ainda ia no adro. Faltavam treze pontos e as pernadas mais extensas estavam à espreita. Só que ainda havia que ultrapassar uma ribeira e o seu verdejante quanto agressivo silvado. Uma providencial ponte de ferro ajudou-me na sua transposição e safou-me duma caterva de arranhões.

Mais duas simpáticas e acessíveis reentrâncias, antes da viagem de regresso para a pernada mais longa (1.150 metros que obrigaram a mais 300), em direcção ao “52” que iria funcionar como “loop” para o quinto e décimo quarto controlos. Procedi a uma progressão lenta para me proteger da fadiga e simultaneamente das passadas mal dadas e assim não entortar aqueles belos azimutes, que vinha a desenhar tão a preceito. Tudo de acordo como mandam os cânones. Passei a vida a contar reentrâncias, que para a próxima muno-me de calculadora.

Seguiram-se mais três pernadas calmas na vertente técnica, mas propensas ao enjoo, tal foi a constante ondulação. Os meus azimutes continuavam tão rectos que nem régua de engenheiro. E bem iria necessitar do seu rigor para o ponto nove, dado que ter-me-ia de desenvencilhar de mais um galopante quilómetro até à sua reentrância.

A ditadura das reentrâncias foi alvo de um ligeiro interregno no ponto dez, com o prisma bem posicionado junto a uma estética escarpa. Não passou de sol de pouca dura, pois os controlos finais voltaram à referência de eleição do mapa de São José da Lamarosa – as zonas inclinadas em “V” entre duas elevações (só para não lhes voltar a chamar reentrâncias ou qualquer outro termo anatómico menos próprio).

Com o aparecimento do ponto de “loop”, apenas faltava a corrida desenfreada para o “200”, mas infelizmente já não dispunha de vigor suficiente para grandes velocidades. É verdade que nem naquele momento, nem durante a prova. Andei a maior parte do percurso a bufar como um desgraçado, arrastando a musculatura, recriminando-me pelo elevado absentismo às sessões físicas.

No cômputo geral realizei uma prova tecnicamente quase irrepreensível, mas em termos físicos foi uma lástima, com repercussão natural na tabela classificativa. Tanto esforço, tanto empenho, litros de suor vertido, para o “Big John” com uma prova supersónica, me transformar o tempo efectuado, num resultado de “berdadeiro” orientista.

Para fecho de época, São José e o COAC ofereceram-nos uma prova interessante, superiormente organizada, consagrando o Clube de Orientação do Centro como os campeões incontestáveis da temporada, sucedendo ao meu glorioso GD4C, que se quedou na posição seguinte (a azia atacou-me).

Uma referência, que considero ser obrigatória e merecida, a um eterno “campeão”, o perseverante Joaquim Sousa. Mais uma vez demonstrou que a qualidade não tem idade, batendo-se em pé de igualdade com jovens que podiam ser seus filhos, denotando um espírito competitivo verdadeiramente notável. É um exemplo a seguir e foi sem dúvida, a figura do ano na modalidade.
  

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quinta-feira, 13 de agosto de 2020 – 03:03:39

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