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No berço dos "jesuítas"

A Companhia de Jesus foi banida de terras lusitanas em meados do século XVIII, por ordem expressa da insigne figura da nossa história, sua excelência o Marquês de Pombal (Tiãozé na intimidade). Ninguém teria a ousadia de os fazer regressar, a não ser por autorização constitucional, o que veio a acontecer, mas isso agora não interessa nada.

Alguém os imortalizou nos finais do século XIX ao deixar um legado culinário. E que regalo! Que delícia! Hum…De comer e chorar por mais. Esta espécie de “jesuíta” é o ex-libris da acolhedora cidade de Santo Tirso. Uns pasteis folhados com uma cobertura estaladiça, que nos deixa a sensação de podermos comer mais um e um e…

Tê-los-ia comido, se não tivesse de participar nas três etapas do IX Prémio de Orientação dos Trampolins de Santo Tirso (podia engordar 20 gramas, hehe). Mas fui devidamente recompensado com dois dias bem agradáveis. Tempo magnífico, óptimos locais para a prática da modalidade e uma organização impecável em quase todos os aspectos. Esta realidade vem contrariar um pouco a tese, de que as provas regionais são o parceiro menor do calendário.

O tiro de partida foi dado no Monte Padrão, num mapa de relevo razoável, com bastantes pormenores, uns quantos afloramentos rochosos, zonas de vegetação do tipo “parede”, mas também com “montes” de caminhos. Queixaram-se os mais exigentes, que tecnicamente os percursos eram acessíveis em demasia. Aqui para nós, também me pareceu um tudo ou nada fácil, mas como o meu escalão foi aglutinado por outros, cujo nível de dificuldade ainda era menor, deduzi que foi o percurso possível. Isto é o resultado da fraca participação em alguns escalões, que origina uma quantidade de arranjos, nem sempre a contento de toda a gente. Agradar a “gregos e troianos” é tarefa complicada.

Quase conseguia um percurso limpo. O que não estava limpa era a entrada para o caminho da minha segunda pernada, que me obrigou a um “passeio” de mais seis minutos que o recomendável. Como vêem os caminhos só servem para arreliar (hehe). Mais uma vez, fui confrontado com o meu “ódio de estimação”, as já famosas “pedrolas”, mas excepcionalmente, consegui dar-lhes a volta (na verdadeira acepção). Abordei um dos pontos rochosos, provavelmente o mais técnico, pelo lado de baixo, como estava a ter problemas, resolvi dar a volta por cima e pimba…lá estava ele. Esta manobra custou-me uma mão cheia de arranhões, mas deu-me cá um gozo! Confrontando os splits da rapaziada, concluí que fiz uma opção e “peras”. Nem parece uma progressão do “espécie”. (por vezes dá-me uns acessos de orientista)

Após este alto momento técnico, o traçador, que não deve gostar de mim nem um bocadinho, aplicou-me cinco percursos seguidos, para desenvolver a minha velocidade de ponta. E se eu adoro correr... (grrr) Ainda por cima, na parte final, a “pista” era a subir. O que começa a tornar-se um hábito (sádico por sinal!), é obrigar a malta a fazer a pernada extra. Ou seja, das chegadas até ao secretariado, mais umas centenas de metros e em “escalada”. Arre! Foi o abafo total, mas fiquem descansados, que as energias foram repostas de imediato, ao “controlar” o bar, que estava devidamente apetrechado.

Da parte de tarde, em jeito de sobremesa, foi-nos oferecido o mapa do agradável parque do Mosteiro da Sª da Assunção (preferia os jesuítas mas…), para percorrermos um super-sprint de pouco mais de mil metros. Pessoalmente, este local era de má memória, pois o ano transacto consegui fazer aqui, o “mp” mais estapafúrdio (cena já relatada) que se possa imaginar.

Com a motivação extra de “vingar” as asneiras passadas, imprimi velocidades algo exageradas para o meu arcaboiço e pouco mais de dezoito minutos depois, fui o primeiro a chegar (tinha sido o primeiro a sair) debaixo duma amável e carinhosa salva de palmas (os cabelos brancos enternecem, hehe). A assistência só não apupou, porque não tinha conhecimento da minha dislexia perante o primeiro ponto. Mas c´os diabos, se eu via três muros e o mapa só tinha dois, quem tinha razão? Um minuto para perceber que o da direita já não fazia parte do mapa. Em sprint não há margem para erros de “espécie”. O pior estava para vir.

Novo dia, novo mapa, na mesma freguesia, Monte Córdova, agora no lugar de Valinhas. Se as arenas do primeiro dia, estavam bem localizadas e funcionais, esta situava-se no local ideal. Dum lado, um arborizado parque de merendas, do outro, o oásis da orientação: o bar! (vou-me esquecer da estrada no meio, mas o trânsito foi bem controlado)

A etapa iniciava-se de imediato com uma rampa. Eu, que tinha estado a gelo nos joelhos (ressaca do sprint), temi o pior, mas aguentei-me como um “leão”. Tecnicamente o percurso foi idêntico ao anterior, apenas me obrigaram a correr o tempo todo, mas o cenário alterou para melhor. A zona do ribeiro, num ambiente bucólico (onde tiraram umas belas fotos), convidava ao desfrute, mas para meu desgosto (nem pus os pezinhos de molho), foi chegar, controlar e desandar, pois nova rampa me esperava.

Estava tudo a correr demasiado bem para ser verdade. Quase a terminar, no percurso do ponto de água para uma das ruínas, com pouco mais de cem metros, comum a quase todos os escalões, deitei tudo a perder, ao conseguir cometer em tão pouco espaço, uma inimaginável quantidade de “argoladas”. Para fazerem uma ideia do nível da asneira, só vos digo que a minha mulher fez a mesma pernada em menos sete minutos!!! Não vou descrever o que se passou, porque seria um vexame público para o “espécie de orientista” (hehe). Mais tarde, quem sabe, encho-me de coragem e escrevo um texto abordando este frustrante episódio, que tem potencial para ser incluído num qualquer manual de orientação, no capítulo das “loucas e atípicas pernadas”.

O "espécie" caminhando não viu,
A ruína escondida parecia estar.
Pastando, em esforço o monte subiu,
E finalmente com ela se encontrar.

(poema sobre o amor-ódio entre um deprimido “espécie” e a bela duma ruína)

Depois desta triste figura, pensei que nada me faria atenuar a azia com que fiquei (nem mesmo a desprestigiante e imerecida subida ao pódio), mas valeu-me uma meia dúzia de saborosos “jesuítas”, que entretanto apareceram, para me elevar o estado de espírito.

 

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sábado, 25 de maio de 2019 – 21:33:38

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