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"Lama-Board"

Perante um dia de Inverno rigoroso, decorria a primeira etapa do POM 2006, no Pego, e o par mais emblemático (ou cromo?) da “espécie de orientação”, marcava presença. Era uma época em que estávamos nos primórdios desta nossa odisseia pela modalidade, pelo que só tínhamos participado em meia dúzia de provas, se tanto.

A etapa desenrolava-se debaixo de chuva e vento intensos, e a meio do percurso, já a lama nos atacava até aos cotovelos. Completamente encharcados, enregelados, sujos e perdidos, o que neste período da nossa distinta “carreira”, estas situações de “pastorícia” eram absolutamente normais (ainda agora o são), procurávamos arduamente uma “tábua de salvação”.

O tempo que levávamos de prova, e para fazerem uma ideia do atraso, era sensivelmente idêntico a levar ao pasto “quatro rebanhos”, dado que um ponto “tresmalhado” estava renitente em aparecer (hehe) e este ainda era o sexto em quinze!

Quando uma alma caridosa, um dos veteranos do CAOS, e em resposta ao nosso envio de SOS, nos deu a dica: “O ponto 156? Lá para baixo, lá para baixo”, tudo isto sem afrouxar o seu andamento (verdadeiros orientistas!). Então que fazíamos nós cá tão em cima “seus pastores!”.

A descida naquele local, não se afigurava tarefa fácil, mas se tínhamos de descer, não importavam as condições. “Estou a ver o ponto”, diz a minha mulher, toda eufórica, “ufa, ainda bem”, o que fez acelerar os meus níveis de adrenalina. Após uns exercícios de equilibrismo, para evitarmos alguma queda desagradável, chegamos ao ponto e…”não é este”. Verdadeiro balde de água fria (em cima da que já tínhamos…). “Será que temos de descer mais?” Só podia.

A lama mais parecia visgo e eu ainda não dispunha de calçado apropriado (as minhas sapatilhas estavam com o piso careca). A situação continuava com aspecto de ser perigosa. Mas a espécie de orientista não olha a meios para atingir os seus fins. Se o ponto era mesmo no fundo, a ordem era para descer (nem que fosse para o inferno).

Com este corpinho que Deus me deu, um pouco (é favor) pró pesado, terreno algo inclinado e bastante lamacento, a minha mulher previu o pior e alertou: “Cuidado, vai devagar, que podes escor….”. Nem acabou a frase. Já tinha eu dado um valente “bate rabo” e deslizava encosta abaixo, sem hipóteses de parar, uns vinte metros. Não tive tempo de pensar no que me estava a acontecer. Foi um slalom, que apelidei de “lama-board” (modalidade a ser homologada), em que a prancha foi substituída, e pelos vistos a preceito, pelos rijos costados (de boa cepa) aqui do “espécie”.

O facto mais incrível deste episódio vertiginoso, foi não ter havido consequências físicas a lamentar, para além duma dor insuportável no “sítio” que vós sabeis e dos quilos de lama que me revestiam, que me conferiam um toque carnavalesco (ou não estivéssemos em sábado folião).

No entanto, a surpresa maior estava ainda reservada. Mal refeito do susto, levantei-me calmamente, fiz o check-up a confirmar que estava intacto (o meu anjo da guarda estava de serviço) e, ao meu lado, a “rir-se para mim” e a bambolear o prisma ao vento, como que a acenar, aí estava o almejado ponto.

A parte ridícula de toda esta cena, é que a “baliza” até estava colocada junto a um caminho, vejam lá o problema! Mas a espécie de orientista gosta de inventar, para tornar a coisa mais difícil (hehe). “Se pode complicar para quê facilitar?”

Foi com certeza, a aproximação a um ponto, com a progressão mais radical (cena do tipo Indiana Jones) de que há memória nos relatos de orientação (pelo menos da “espécie”).


 

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sábado, 24 de outubro de 2020 – 23:52:07

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