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Randonneurs Portugal

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Como o nosso portal noticiou recentemente, existe uma nova modalidade no nosso país e, inclusivamente, Portugal já participou na mais importante prova deste desporto. A seguir, fique a saber o que é um “randonneur” e tudo o que envolve este “movimento”.
 
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 Internacionalmente, quando e como surgiu o movimento "Randonneurs"? Sucintamente, o que é um "randonneur"?
Os randonneurs surgem no em fins do século XIX / início do século XX, reflexo das provas de longa distância em Itália e França. O Paris-Brest-Paris ,que se realiza de quatro em quatro anos, que, em 2011, teve a sua 17.ª edição, remontando a 1891 (é a "prova de ciclismo mais antiga do mundo), é a maior manifestação desta forma especial de andar de bicicleta, em que a solidariedade e a entreajuda para se conseguir chegar ao destino se sobrepõe à competição entre randonneurs.

Um Randonneur.... a tradução para português, tal como para outras línguas, é difícil, talvez por isso não se traduza...é um cicloturista, um ciclista que, de forma não competitiva e em autonomia, percorre longas distâncias de bicicleta. Se retirarmos o carácter competitivo à palavra "ultra-distância", diria que é um ultra-ciclista não competitivo.
 
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Desde quando existem, em Portugal, os Brevets Randonneurs Mondiaux?
 
Em 2010, fizemos um 1.º Brevet Randonneur Mondial (BRM para os amigos). de “teste”, após termos formalizado a representação do Audax Club Parisien em Portugal (entidade que mundialmente homologa e supervisiona os BRM).
Curiosamente ,começámos pela distância maior, os 600 kms do Portugal na Vertical.
 
Em 2011, foi possível, a quem se associou gratuitamente aos Randonneurs Portugal, participar na série de BRM.
 
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Sendo que existem BRM de várias distâncias, é possível obter-se um brevet de uma distância superior, sem possuir o da distância inferior?
 
Sim, é possível. Não existe precedência, embora não seja comum os randonneurs "saltarem" BRM de distância inferior. O regulamento dos BRM é único e mundial e as associações de randonneurs dos vários países não podem alterar aspectos estruturais. É um movimento transnacional com regras e “costumes” uniformes. Talvez por isso subsista há tanto tempo.
 
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No nosso país, quantas provas compõem o calendário? Quem são as entidades organizadoras?
 
Em 2012, teremos dez BRM portugueses no calendário internacional BRM do Audax Club Parisien.
 
 Uma série completa (200, 300, 400 e 600 kms), promovida pelos Randonneurs Portugal com base em Vila Franca de Xira e mais um BRM de 1000 kms e outro de 200 kms.
 
 Existem dois organizadores locais, a Via Veteris – Associação Jacobeia dos Caminhos de Esposende, que organizará um BRM de 200 kms e outro de 300 kms. Em 2012, temos uma estreia, a BTZ Mação, que, com base em Santarém, organizará dois BRM de 200 kms.
 
Calendário BRM 2012:
 
 BRM 200 Tejo Sorraia Tejo - 11 de Fevereiro - Randonneurs Portugal
 Santarém 200 - Tejo acima Tejo abaixo - 10 de Março – BTZ Mação
 BRM 200 Alto Minho - 31 de Março – Via Veteris
 Planícies e montados 300 - 14 de Abril - Randonneurs Portugal
 BRM 300 Baixo Minho - 28 Abril - Via Veteris
 Alqueva 400 – 12 de Maio - Randonneurs Portugal
 Santarém 200 - Serra e Praias - 26 de Maio – BTZ Mação
Portugal na Vertical – 23 de Junho - Randonneurs Portugal
Portugal Além Tejo 1000 –20,21,22,23 de Setembro - Randonneurs Portugal
 BRM 200 kms – 13 de Outubro - Randonneurs Portugal
 
Quem são as entidades organizadoras?
 
Com excepção de eventos como o Paris-Brest-Paris, Londres-Edimburgo-Londres, Perth-Albany-Perth, a maioria das centenas de organizações que, no mundo, promovem BRM são amadoras e dependem do conhecimento e da iniciativa individual dos randonneurs que assumem, também, o papel de organizadores, isto não significa que sejam organizações incompetentes ou trapalhonas. O objectivo é termos organizações simples, pragmáticas e firmes, assegurando que os randonneurs que connosco pedalem percebam claramente a lógica do Brevet e a lógica de um evento randonneur.
 
 Em países como o nosso em que não existe tradição de longa distância tendencialmente os organizadores dos BRM são pequenas associações sem fins lucrativos em que as taxas de inscrição dos BRM asseguram a continuidade da organização dos BRM. Um aspecto importante passa pelo facto dos organizadores de BRM não poderem visar o lucro com os BRM, ainda assim também não faz sentido terem prejuízo ou dependerem de outras entidades para poderem organizar os seus BRM.
 
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Dado que cada participante tem que assegurar todas as questões relacionadas com as suas participações, que são individuais, além dos postos de controlo, qual é o papel dos organizadores?
 
O Randonneur ,ao participar num BRM, obtém prova de que concluiu um trajecto pré-definido numa determinada distância. Ao concluir um BRM, o randonneur participa de um movimento com cem anos de história e com características homogéneas em todo o mundo.
 
 São eventos eminentemente individuais, é verdade… Aliás, são eventos onde a autonomia do ciclista é um requisito.
A organização dos BRM, em Portugal, segue os mesmos moldes dos BRM no resto do mundo. Nesse sentido, temos sorte, pois ,podemos seguir bons exemplos. As organizações tratam de aspectos administrativos, a homologação dos trajectos, inscrições dos Randonneurs, construção do roadbook dos BRM, manutenção dos postos de controlo, homologação junto do ACP dos cartões de percurso dos randonneurs, e, em paralelo, garantem que todos os participantes têm o equipamento de segurança necessário (colete reflector, luzes, etc) e, em alguns casos, circulam no trajecto, assegurando o cumprimento das regras dos BRM.
 
Existe uma idade mínima de participação?
 
É comum, em países com tradição Randonneur, participarem menores com autorização dos pais ou dos tutores. Nós desencorajamos inscrições de menores de 18 anos, não por questões de aptidão física, mas, antes por questões de imputabilidade e de responsabilidade civil no caso de algo correr menos bem.
 
Em média, quantos atletas costumam participar?
 
O aumento das distâncias tem um efeito inverso no número de participantes dos BRM… isso é garantido. A titulo de exemplo, o BRM 200 kms Tejo Sorraia Tejo, em 2010 , teve cerca de 40 participantes e o Portugal na Vertical 600 teve 4. São, ainda, poucas as pessoas que encaram 600 kms como uma distância ciclável….
 
Como se controla se um participante cumpre todo o regulamento (não utilizar carros, etc), durante um percurso de várias centenas de kms?
 
Os Brevets Randonmneur Mondiaux são eventos de nicho, não são eventos "de massas" e isso minimiza logo a "quantidade" de potenciais batoteiros. Ainda assim, é habitual circularem veículos da organização entre postos de controlo e , eventualmente, existirem postos de controlo secretos nos percursos.
 
 O perfil dos randonneurs que participaram nos BRM em 2011, não nos parece dado a "batotas". Essencialmente, porque é um evento não competitivo, não existe classificação por tempo ou qualquer outra, nem prémios, nem pontos por participação. Caso nos confrontemos com uma situação de infracção clara… é simples. Esse participante não terá o brevet homologado e não participará em qualquer outro BRM organizado sob a égide do Audax Club Parisien.
 
Para obter um BRM, pode-se participar com qualquer tipo de bicicleta ou existe a obrigatoriedade de se utilizar bicicletas com determinadas especificações técnicas?
 
Qualquer veículo propulsionado exclusivamente pela força muscular, logo qualquer tipo de bicicleta, desde que equipada com luzes. Em última análise pode fazer-se um BRM de trotineta, aliás já houve quem o fizesse no Paris Brest Paris.
 
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Os diversos eventos do nosso calendário possuem um tempo limite para conclusão?
 
Sim, os BRM têm de acordo com a distância um tempo máximo de conclusão: 13h e 30m para 200 kms, 20h para 300 kms, 27h para 400 kms 40h para 600 kms e 75h para 1000 kms. As distâncias são consideráveis, mas, a média horária permite que uma grande diversidade de pessoas possa participar com boas hipóteses de concluir os BRM.
 
Quem estiver interessado em obter um BRM, o que deve fazer? Tem de estar filiado em alguma entidade? Quem deve contactar?
 
Antes de mais, tem de ter noção de que pedalar longas distâncias na estrada comporta riscos e não tomar a decisão de participar num BRM de ânimo leve, especialmente se incluir pedalar de noite.

É pré-requisito, ser titular de um seguro de acidentes pessoais e de responsabilidade civil que não tenha exclusões para a prática desportiva não competitiva. Não tem de estar filiado em qualquer entidade apenas terá de se associar gratuitamente aos Randonneurs Portugal no ano em que quiser efectuar os BRM e inscrever-se online.
 
 A forma mais simples de estar actualizado, relativamente aos BRM portugueses… e não só…. é aceder à página do Facebook dos Randonneurs Portugal http://www.facebook.com/RandonneursPortugal ou ao site http://www.randonneursportugal.org/
 
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A "cereja no topo do bolo", para um randonneur, é a participação no Paris-Brest-Paris, que tem a distância de 1200 kms. O que significa, para um randonneur, obter este brevet? Trata-se de um evento que se disputa de quatro em quatro anos.
 
O Paris-Brest-Paris reúne os randonneurs de todo o mundo é um brevet especial pela distância, mas, também por toda a envolvência. Da nossa participação, talvez o aspecto mais surpreendente tenha sido a heterogeneidade dos participantes que lá encontrámos, o que comprova que a longa distância não é exclusivamente para o estereótipo do ciclista típico “magro e em forma”. Abre portas a um conjunto de randonneurs que, fruto do conhecimento e experiência, conseguem pedalar 1200 Kms, não sendo “atletas” (no sentido profissional do termo).
 
 Os 1230 kms do PBP são um desafio considerável, mesmo para os randonneurs mais experientes, é um misto de planeamento, conhecimento, capacidade física e sorte, em que a forma física, ao contrário do que poderá parecer, não é o único elemento relevante.
 
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Como tem sido a participação nacional Este ano, como foi? E em 2015 teremos Randonneurs portugueses no PBP?
 
Em edições passadas, emigrantes portugueses em França, julgo que dois, participaram no PBP, mas não havia uma representação de Portugal. Em 2011, os Randonneurs Portugal inauguraram a participação oficial de Portugal no PBP. Tínhamos esperança de ser dois ou três este ano, mas não foi possível. Em 2015, garantidamente, seremos mais.
 
Entrevista conduzida por José Duarte (Setembro/2011)
  
 

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