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João José: "Selecção Nacional vale pelo colectivo"

 

 

João José é um nome sobejamente conhecido dos seguidores do Voleibol.


Com 9 títulos de campeão nacional, melhor blocador do mundo em 2002, campeão europeu de clubes em 2006/2007 pelos alemães do VFB Friedrichshafen, entre outras distinções internacionais, o ex-capitão da turma das quinas é agora treinador, integrando a equipa técnica da Selecção Nacional de Seniores Masculinos.

 

– Portugal está novamente entre a elite mundial. Que argumentos tem para apresentar diante de adversários do mais alto calibre?
“O primeiro objectivo será conseguirmos permanecer na Liga das Nações, pois esta nova competição é a antiga Liga Mundial com um padrão ligeiramente novo. Vai ser complicado.
O mais importante é que, enquanto grupo, temos de pensar que continuamos com as mesmas dificuldades. 
O seu ponto forte é que é um grupo que vale pelo colectivo e que neste momento está sólido. Percebe muito bem quais são os seus pontos fortes e fracos e procura lidar da melhor maneira com isso, o que faz com que a equipa tenha vindo a crescer.
Nesta competição, vamos encontrar equipas com outros argumentos, claramente. 
Temos de ser realistas. Apesar da Golden European League apresentar um nível bom, acima da Liga Europeia, vamos encontrar agora a elite mundial, selecções com outros argumentos, com outra experiência e que nos vão causar muito mais dificuldades do que aquelas que enfrentámos anteriormente.
Temos de provar que estamos ao nível destas selecções. Vamos disputar uma pool em casa que é complicada, com o Brasil e a Sérvia, duas equipas que estão sempre no topo da elite mundial, e a China, que, apesar de algumas oscilações, ano após ano, consegue ser eventualmente a mais acessível deste grupo.

Depois de garantirmos a permanência, vamos procurar alcançar a melhor classificação possível”.

 

– Os jogos com o campeoníssimo Brasil trazem, apesar de tudo, boas recordações [vitória por 3-0 em Almada e 5.º lugar de Portugal na Liga Mundial de 2005] e uma motivação-extra.
“É verdade. É uma equipa que defrontámos muitas vezes na Liga Mundial.
Agora é um grupo diferente, já renovado e que também já se afirmou na elite mundial.
Para nós, é sempre muito bom estar aqui e jogarmos com estas equipas porque também eleva o nosso nível e põe-nos a jogar e a ver o jogo de uma forma mais evoluída”.

 

 

– O facto de a pool ter por palco o Multiusos de Gondomar, de 14 a 16 de Junho de 2019, contribuirá para que a Selecção se sinta em casa?
“Creio que sim. O Multiusos de Gondomar é um bom pavilhão para a prática da modalidade. 
Recordo-me que se disputou lá a Final Four da Taça de Portugal de seniores masculinos em que as coisas correram muito bem. A adesão das pessoas foi muito boa. É muito importante para nós que as pessoas vão aos pavilhões puxar pela Selecção pois isso é um factor que é determinante na motivação dos jogadores.
Se olharmos para as equipas do topo mundial, todas têm esse factor como ajuda, o Brasil, a Polónia, a Alemanha, por exemplo, têm os pavilhões cheios e é muito difícil defrontá-las em casa por causa dessa atmosfera.
Em relação a nós, penso que isso tem melhorado de ano para ano, e esperamos que em Gondomar possamos ter esse tipo de ambiente que nos ajude a ter melhores resultados”.

 

– Antes da Liga das Nações, Portugal vai ter ainda a parte final da fase de apuramento para o Campeonato da Europa de 2019. Estando a três pontos de conseguir o seu objectivo, como é que vês essas duas autênticas finais?
“É isso mesmo. São duas finais e acontecem numa altura volátil, em que não sabemos muito bem como é que o grupo vai estar porque vem de uma preparação realizada nos clubes. Por outro lado, é próximo do Natal e do Ano Novo, momentos em que há sempre uma quebra, um baixar psicológico e de intensidade daquilo que é o trabalho. 
Mas é uma oportunidade que não podemos desperdiçar. 
Quando terminámos a fase anterior, mesmo depois do jogo com a Áustria, que não nos correu tão bem, o grupo encontrava-se muito motivado e bastante concentrado no objectivo do apuramento. E quando foram para os seus clubes, todos saíram conscientes que era importante que na altura de regressar viessem focados nesse mesmo objectivo e de alguma forma comprometeram-se todos a chegar preparados para atingirmos as nossas metas.
Vai ser muito difícil porque vão ser duas finais, dois jogos de pressão contra duas equipas que nós temos nível para vencer, mas para isso acontecer e atingirmos o objectivo da qualificação temos de estar ao nosso melhor nível".

 

 

– Sendo um dos principais intervenientes, como é que viste o que foi conseguido este ano, com a conquista da Challenger Cup 2018 e o apuramento para o Europeu de Sub-20 Masculinos, de Seniores Femininos e, tudo o indica, de Seniores Masculinos? Consideras que o trabalho e os resultados alcançados foram devidamente reconhecidos pela Comunicação Social, pela opinião pública ou pelo próprio poder político?
“Esse é sempre um assunto delicado, porque nós sabemos que a nossa Comunicação Social se dirige a um público-alvo em que predomina o futebol, e com alguma legitimidade. Contudo, as outras modalidades, os atletas, os treinadores, as organizações também trabalham bem, sacrificam-se e procuram atingir determinados objectivos. Debatendo-se com mais constrangimentos, obviamente, mas acho que até com alguma regularidade vamos cumprindo com os objectivos estabelecidos. Principalmente, tendo em conta a dimensão do nosso País, o número de atletas que temos nas modalidades, etc..
Quando o trabalho está a ser bem feito, quando apresenta resultados e existe um crescimento naquilo que é feito pelas federações, pelos clubes ou organizações, tem de haver um pouco mais de cuidado em – não sei se será a melhor palavra – reconhecer tudo aquilo que tem sido feito ao longo de todo o processo, do caminho, e que levou a que esse resultado acontecesse.
Às vezes fala-se só do resultado final, mas por trás disso há todo um processo.
Alguma coisa mudou para se conseguir esse resultado e acho que é importante também referenciar isso: o que é que mudou, reconhecer as pessoas e valorizar o trabalho e não só o resultado final, para que as pessoas e as organizações envolvidas também sintam o reconhecimento do seu trabalho”.

 

 

– Tiveste uma carreira intensa como jogador e há relativamente pouco tempo vestiste a pele de treinador. Naqueles jogos mais renhidos, não continuas a sentir a vontade de saltar para o campo e dar o teu contributo como… jogador?
“[Risos] Pondo a questão de outra forma: será que sinto falta de jogar?
É assim: eu gosto de treinar, gosto de jogar. Um atleta que chega a um determinado patamar na sua carreira tem de gostar verdadeiramente porque senão nunca lá chegaria.
Nos jogos importantes, sinto falta daquela atmosfera. Da importância do jogo, do público, pois foi para aquilo que trabalhámos.
Quando se entra no pavilhão e sente aquele ambiente que o envolve, o  momento… isso traz-nos boas ou más memórias. A mim, felizmente, traz-me muito boas memórias e dá aquela vontade"…

 

– É difícil estar do lado de fora?
“Já consigo separar isso. Sei que há um grupo que está devidamente preparado, um grupo que está focado naquele objectivo, que trabalhou para esses momentos e que nos dá garantias de que os objectivos podem ser cumpridos.
O que é difícil é conseguir controlar o grupo durante alguns períodos do jogo, conseguir fazer com que o grupo perceba determinados momentos, o que fazer em algumas situações porque dantes eu era uma ponte para dentro do campo e tentava que as coisas acontecessem dentro de campo de acordo com o que era o plano, o que o treinador desejava, agora é ao contrário. Sou 
treinador, estou de fora, como principal ou como adjunto, e tenho de fazer com que a mensagem passe da melhor forma lá para dentro para que essas situações sejam resolvidas.
Somos muito menos interventivos, pois se enquanto atletas tínhamos a responsabilidade de fazer o ponto ou mudar determinado momento, enquanto treinadores esse momento é alterado mas de maneira diferente, mais verbal. 
É mais uma forma de estar, que devemos antecipar, antes do jogo, durante a semana. Não podemos esperar chegar ao jogo e resolver ali. Não, isso tem de ser pensado durante a semana ou semanas para quando atingirmos aquele momento os atletas estejam preparados para resolver os problemas que vão encontrar em campo”.

 

João José é um dos mais credenciados jogadores portugueses de todos os tempos 


Como jogador, conquistou títulos nacionais pelo Castêlo da Maia GC e AJ Fonte do Bastardo, além de sete campeonatos da Alemanha pelo VFB Friedrichshafen, clube pelo qual ergueu ainda o troféu na Liga dos Campeões, em 2006/2007.


Eleito o melhor no bloco do Mundial Argentina 2002, no qual Portugal «amealhou» um histórico 8.º lugar, JJ foi ainda o melhor atacante da Liga dos Campeões de 2004/2005 e conquistou a Liga Europeia (selecções), em 2010, depois da medalha de prata em 2007 e de bronze em 2009.


Ver currículo de João José

 


Foto: Multiusos de Gondomar

 

O Pavilhão Multiusos de Gondomar vai receber os próximos compromissos da Selecção Nacional.

 

No dia 6 de Janeiro de 2019, o Multiusos acolhe o Portugal x Croácia, primeiro de dois jogos decisivos de Portugal na fase de apuramento para o Campeonato da Europa.


Neste momento, Portugal lidera a Poule D, com mais dois pontos do que a Áustria, quatro que Croácia e seis que a Albânia, esta última sua adversária no derradeiro jogo de apuramento, agendado para  9 de Janeiro, numa localidade albanesa ainda por definir.

 

Nos dias 14 a 16 de Junho do próximo ano, o Multiusos gondomarense apadrinhará a participação da Selecção Nacional de Seniores Masculinos na prestigiada e exigente Liga das Nações de Voleibol 2019 (Volleyball Nations League - VNL), ao receber as selecções do Brasil, Sérvia e China, respectivamente 1.º, 11.º e 20.º posicionados no Ranking Mundial (7 de Julho 2017).

 

Inaugurado em 2007, o Multiusos acolheu, recentemente, a Final Four da Taça de Portugal - seniores masculinos 2017  e o Eurobol 2017 (com mais de 1200 atletas), em Voleibol, entre outras competições de vulto de outras modalidades.

 

Recorde-se que a Selecção Nacional de Seniores Masculinos vai disputar a Liga das Nações 2019, após ter conseguido vencer na Final da Volleyball Challenger Cup 2018 a República Checa por 3-1 (18-25, 25-22, 25-19 e 25-16).


A Liga das Nações é disputada por 16 selecções nacionais: 12 «fixas» que estão sempre qualificadas para a competição e quatro «desafiadoras» (em 2019, Portugal, Canadá, Bulgária e Austrália), sendo que a última classificada destas selecções desce à Golden League, sendo substituída pela vencedora da Challenger Cup, um torneio que qualifica o vencedor para a próxima edição da Liga das Nações como equipa «desafiadora».

 

 

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quarta-feira, 21 de novembro de 2018 – 02:17:42

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