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Júlia Kavalenka ansiosa por concretizar sonho europeu

 

A Aos 18 anos, a portuense Júlia Kavalenka, filha de desportistas bielorrussos de nível internacional, integrava já com frequência o seis-base da Selecção Nacional de Seniores Femininos, apesar de ser a jogadora mais jovem do grupo de trabalho.
Agora, com 20 anos e 1.93 metros de altura, é a oposta titular da turma das quinas.
Pensando bem, não era difícil augurar-lhe um futuro promissor no Voleibol, pois cedo deu nas vistas… exactamente por ser alta.


Foto: CD «Os Marienses»

“Ser alta sempre foi um privilégio, digamos assim, em relação aos outros. Foi o que me tornou diferente dos outros de certa forma, pois ser alta/o em qualquer modalidade tem as suas vantagens, mas, nada que me fizesse sentir diferente, porque tinha de trabalhar na mesma para alcançar o que queria”, recorda a jogadora que um dia sonhou seguir os passos da lenda russa Ekaterina Gamova.
“Gamova é como um ídolo, é uma pessoa que admiro e gostaria de um dia conseguir alcançar os feitos dela. 
Como referência maior, tenho os meus pais, que são o meu orgulho e sempre os meus maiores exemplos a seguir. Graças a eles é que alcancei o que já alcancei. São sem margem alguma os que mais acreditaram no meu trabalho, e continuam a acreditar, apesar de terem seguido modalidades diferentes da minha [internacionais bielorrussos no Judo (mãe) e Andebol (pai)].
São eles que me fazem prosseguir e continuar a lutar para alcançar o que realmente quero, pois «cada um de nós tem o mundo nas suas mãos».

Hoje, Kavalenka é vista como uma das jogadoras em que os portugueses depositam mais esperanças na «contabilização» de pontos que possam guindar a turma das quinas ao mais elevado patamar do Voleibol europeu e mundial.

- O que se pode esperar da participação inédita no Europeu, principalmente, num grupo como Itália, Polónia, Bélgica, Eslovénia e Ucrânia? 
“Acredito que não será de todo uma participação fácil. Será uma primeira vez, o que tem sempre o seu peso, e iremos defrontar as melhores equipas a nível europeu, que se apresentam com um nível superior ao nosso, uma vez que têm presença assídua nestas competições.
Temos um grupo complicado; direi que Eslovénia e Ucrânia, por já conhecermos o estilo de jogo, serão os nossos principais objectivos. Itália, Polónia e Bélgica, selecções fortes, com presenças regulares e com estilos de jogos diversos, proporcionarão jogos desafiantes, que nos farão crescer sob o ponto de vista técnico e táctico”.

– Este Europeu poderá abrir novas portas às jogadoras portuguesas e mesmo ao Voleibol nacional? 
“O grande passo já foi dado com o apuramento. Permanecerá para sempre na história desportiva portuguesa e, de certo modo, já abriu portas.
Independentemente da sua importância e/ou visibilidade, as competições internacionais constituem sempre uma montra para as jogadoras e para o respectivo Voleibol nacional.
Treinar/jogar/conviver com estrelas do Voleibol não tem preço, é algo glorificante. É um privilégio partilharem toda a sabedoria contigo, é o que nos faz crescer”.

– Como pensas que vais viver esta oportunidade, até agora única, de disputar uma competição do mais alto nível em termos de selecções? 
“Sinceramente, acho que só realizarei que é mesmo verdade, que Portugal jogará um Europeu, apenas quando lá estivermos!
Posso dizer que é um dos sonhos que se está a concretizar, e acho que vou usufruir ao máximo, tirando todo o tipo de proveito, quer da competição, quer da experiência que me será proporcionada, que será única.
Para mim, integrar o seis-base da seleção é uma honra, é algo que me deixa sem palavras porque sentes que o teu esforço e trabalho está a ser recompensado, sentes que cresces dia após dia levando a bandeira do País ao peito e teu nome nas costas. É algo que se sente e é muito difícil de traduzir em palavras”.

- Depois de já teres jogado em Portugal e na Polónia, é agora a vez de Itália. Que diferenças sentes a nível competitivo e social (no dia-a-dia)?
“Os italianos são apaixonados pelo Voleibol, é um país com bastante tradição na modalidade. Comparando com Portugal, a cultura voleibolística é sem margem de dúvida muito mais forte, não só a nível de profissionalismo como a nível do público e fãs e a nível de investimento económico. A nível competitivo, as diferenças são, já, notórias. Itália e Polónia apresentam um campeonato forte, competitivo e com equipas bastante equilibradas. Contudo, a nível de potência física, Itália é superior. 
Em termos de sociedade, claro que as mentalidades variam, mas não me criou qualquer tipo de dificuldade. A nível linguístico, o polaco é me familiar, e o italiano foi uma língua que desenvolvi rapidamente, não tendo qualquer dificuldade em comunicar quer no dia-a-dia, quer no desporto”.

– Como é que gostas de passar o teu tempo livre?
“O nível profissional não permite ter assim tanto tempo «livre». No meu caso, e apesar de me dedicar ao Voleibol como sendo o meu trabalho, a par disso, estou a tirar o curso de Relações Internacionais na Universidade de Torino.
Assim, aproveito os tempos livres para estudar. Mas em geral, gosto de caminhar, ler um bom livro, ou simplesmente estar «desligada» de tudo e relaxar”.

- Como é que te preparas mentalmente para os jogos? Ouves música, por exemplo?
“Gosto de ter o meu próprio tempo antes de qualquer jogo e fazer as coisas com calma. Uma delas é dormir e analisar novamente o plano de jogo. 
A nível de música, não tenho um tipo específico, tenho uma playlist para antes dos jogos, mas depende muito da concentração/humor”.

- Se não fosses jogadora de Voleibol o que gostavas de ser? 
“Se não fosse jogadora de Voleibol, faria de tudo para o ser! Neste momento não me imagino a praticar um desporto diferente ou a exercer outra profissão (apesar de ser relativamente cedo para tal). Acho que se não fosse o Voleibol, não seria a pessoa que sou hoje.
Desde muito cedo, e por ter enormes exemplos em casa, percebi que o Voleibol era muito mais do que uma simples modalidade, percebi que era da prática desportiva que eu queria viver. Jogar a um nível internacional foi o que procurei atingir nos últimos tempos. Hoje em dia, deixou de ser algo que desejava e sonhava e passou a ser uma realidade, que agora vivo intensamente e luto por manter todos os dias".

Resumo curricular

Na Ilha de Santa Maria, nos Açores, a portuense Júlia Kavalenka representou as equipas de Minis (2009/2010), Infantis (2010/2011) e Iniciadas (2011/2012) do Clube Desportivo «Os Marienses», tendo disputado várias competições de âmbito local e regional.
Integrou pela primeira vez em 2011 os trabalhos da Selecção dos Açores, tendo disputado o Torneio AMB, em Espinho, em 2012, e despertado a atenção das equipas técnicas das selecções nacionais.
A partir de 2012 integrou sempre as selecções nacionais de formação, em regime de internato, até à Selecção Sénior, ao mesmo tempo que representava o Rosário Vólei (2012/2013), o Castelo da Maia GC (2013/2014), o GDC Gueifães (2014/2015) e a AA José Moreira (2015/2017).
Seguiram-se as polacas do Poli Budowlani Torun e, actualmente, as italianas do Bosca San Bernardo Cuneo.

 

Periodicidade Diária

domingo, 22 de setembro de 2019 – 12:38:50

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