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II Trilho das Lampas

Sábado, 10 de Maio de 2014. Fim de tarde. Enche-se o largo da pacata vila de S.João das Lampas. De atletas coloridos. Risos francos ou faces sisudas. Amigos, conhecidos, habituais nestas coisas e estrantes, há de tudo.

 

A prova é organizada pelo Meia Maratona de S. João das Lampas-Grupo de Dinamização Desportiva em parceria com a Sociedade Recreativa, Desportiva e Familiar de S. João das Lampas, estando incluída no Circuito Nacional de Trail Running (CNTR) e portanto conta com a supervisão da Associação Portuguesa de Trail Runnig.

 

As pessoas conhecem S.João das Lampas. Trazida à luz dos amantes da Corrida pelo Fernando Andrade, principal mentor da organização e resistente desde a 1ª edição da Meia Maratona que se realizará este ano pela 38ª vez, lá para Setembro como é costume.

 

O Tilho das Lampas realizou-se este ano apenas pela 2ª vez. Teve inscrições esgotadas bem cedo no tempo. Algo nesta organização cativa as pessoas que acorrem em massa sempre que algo por aqui se organiza.

 

E mesmo os tementes do Trail se aventuram aqui. Alguns no ano passado, mais ontem nesta 2ª edição. E ficam fãs. Prometem voltar e correr outros trilhos. 

 

Eu sou exemplo disso. Não propriamente estrante em Trail, mas como este, com boa parte do percusro corrido de noite, sim, foi a minha estreia no ano passado.

 

E é duro. E é perigoso q.b., que eu sou dos que não gozam muito quando se sentem demasiado inseguros perante as condições do terreno.

 

Mas a par do ano passado, lá fui. Inscrição de custo acessível (EUR 9,00) para o que é oferecido e que acaba por ultrapassar sobejamente o que seria expectáctel.

 

A entrega dos dorsais foi regular, não deixando de haver alguma fila para os que chegaram mais perto da hora da partida, embora chegando a nossa vez tudo se processasse de forma rápida com entrega de t-shirt do tamanho exacto que fora pedido aquando da inscrição. É-nos dado também um apito para uma eventual situação de acidente/emergência, assim como alfinetes. O chip, em tira para enrolar e agarrar ao calçado pelos atacadores não será o mais indicado para Trail mas a mim nada incomodou e chegou à meta mais inteiro que eu, tendo feito todas as marcações nas pasagens devidas.

 

É obrigatório o uso de frontal pois a maioria teria de correr já noite dentro.

 

Os dorsais são personalizados, com o nome do atleta e trazem também contactos telefónicos para o caso de emergência, e simbolizam o dia, o pôr do Sol e a noite, mas o Sol não se deixou ver em S.João das Lampas nesta tarde. Um céu cinzento serviu de cenário e o brilho foi feito pela alegria de quem ali correu.

 

Pouco antes da Partida, o Fernando Andrade faz um breve resumo do que nos esperava e dá-nos indicações importantes para termos em conta.

 

 Partida dada. Umas voltas pela relva macia, à laia de apresentação e despedida dos presentes antes de nos meteremos verdadeiramente neste Trilho.

 

Zonas há em que a afluência de participantes obrigou a seguir em fila indiana e em caminhada, o que é normal em Trails, nada de especial portanto, pois os primeiros há muito que ali passaram e a outras velocidades.

 

Sobe-se, desce-se, há planos, riachos, e a chegada à Praia da Samarra com 10,500 Km de prova é um ponto marcante. Pela paisagem. Pelo Sol que lá deveria estar a pôr-se para mais uma noite. E ele está lá, mas bem escondido por trás da carga cinzenta deste céu. Cabe-nos a nós iluminar o caminho. À saída da praia torna-se necessário ligar o frontal.

 

Corro com amigas, corro só. Vou bem. Caminho. Faço o meu trilho. Ainda antes da praia houve uma abastecimento de água e um ponto de animação com o Rancho Folclórico Saloio e depois, lá pelo km 13,5  sensivelmente, houve outro abastecimento com água, fruta e batatas frita.

 

Em vários pontos do trilho, há elementos da organização, a incentivar, a avisar de um piso mais acidentado, a apoiar, enfim, a fazer-nos sentir acompanhados e seguros.

 

O percurso está todo ele muito bem marcado. Fitas, setas reflectoras e pequenos pontos reflectores e mesmo pequenos pontos de luz de presença que nos indicavam o caminho a seguir quando éramos só nós e tudo à nossa volta era negrume da noite.

 

Há partes que o trilho se estreita, nos envolve no verde de canas e arbustos que temos de ajudar com os braços para abrir caminho e dou por mim a pensar: aqui sozinha, no meio do nada e não é que em vez de medo, me senti segura e confiante? Porque sabia uma equipa inteira a cuidar de mim, a velar pela minha segurança e se usufruí da Natureza em bruto a sós comigo, na verdade nunca me senti só, como se um espírito invisível me guiasse e protegesse. Me deixasse usufruir da plenitude da comunhão com a Natureza mas não me deixasse desamparada. Esse espírito foram todos os elementos da organização, não tenho qualquer dúvida. 

 

Dou por mim de volta a S. João das Lampas. Tenho as pernas estoiradas mas mexo-as com uma vida nova. Uma vida que há em mim e se renova em cada Corrida. 

 

A Meta a poucos metros. De novo a relva macia de S.João. Há pessoas a incentivarem-nos. Ainda. O meu pai e uma equipa em massa de fotógrafos: a AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, depois de nos terem fotografado em vários pontos da prova.

 

Corto a meta de braços erguidos e os olhos no céu para de seguida os fechar e me ver a mim por dentro. E gostei do que vi. 

 

Termino este Trilho com 19,770 Km nas pernas , que fiz a correr e a andar, em 3h00m49s.

 

Sou o 520º atleta chegado à Meta num total de 582 classificados.

 

Temos água no final, fruta e bolinhos e ainda uma sopa quente que não chegou para todos, mas que no meio de tudo o que este Trilho nos ofereceu, é absolutamente insignificante.

 

Poderíamos tomar banho em balneário (água fria), e poderíamos ainda reunir os amigos para ficarmos por ali a cear noite dentro com comida que cada levara e assar carnes e afins em grelhadores disponibizados pela organização.

 

A entrega de prémios não esteve no seu melhor, mas como a sopa, face a tudo o resto, é um ponto secundário que não teve a nota de Excelência como tudo o que é fundamental numa prova: Segurança, marcação do percurso e "acompanhamento" da prova pela organização.

 

Por tudo isto, está a Meia Maratona de S. João das Lampas-Grupo de Dinamização Desportiva de parabéns, assim como todas as entidades e pessoas envolvidas, a quem teço os maiores elogios e agradeço a excelente noite que me ofertaram.

 

Ana Pereira
http://mariasemfrionemcasa.blogspot.pt/


 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018 – 23:15:48

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