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João Serra Fernandes: músico, produtor e director musical

 

 

João Serra Fernandes, actualmente dedicado à produção e direcção musical, tem um vasto percurso iniciado em 1991 ainda como amador em Sintra no antigo “Tópico”.

 

Já em 1993 decide estudar música na “Academia Acorde Comigo”, onde passou por professores como Mário Delgado, Luis Moreno, António Pinto. Mais tarde tem aulas particulares com Pedro Madaleno.

 

A estreia nos palcos decorre por volta de 1995 no mítico “Trovadores” onde a sua presença se torna habitual e onde tem a oportunidade de se cruzar e tocar com grandes nomes da música portuguesa, como Rui Veloso, José Salgueiro (Trovante), Sebastião Antunes (Quadrilha), Nuno Flores (Corvos/Quinta do Bill), Fernando Pereira (Romanças/Real Companhia), Mafalda Arnauth entre muitos outros.

 

Mais tarde integra diversas bandas que tocam em bares, maioritariamente na zona de Sintra, Cascais e Lisboa. Isto entre 1995 e 2002.

 

Em 2004 a sua carreira dá mais uma volta com o novo desafio de produzirespectáculos e eventos, e em paralelo com mais uma arte, a fotografia, largando temporariamente os palcos, dedicando o seu trabalho a estas duas áreas.

 

O ano de 2008 torna-se especial por voltar a pisar os palcos com a sua performance artística musical, na qualidade de músico convidado por algumas bandas tanto em bares como em eventos.

 

A fotografia profissional fica de parte em 2011, ficando com o seu trabalho dedicado na totalidade à área musical, tanto como músico, como produtor. Aqui nasce a a UpMusic Talents, empresa de produção, agenciamento e aluguer de backline , na qual desempenha as funções de Director Artístico e Director de Produção. Nesta altura, tem a oportunidade de trabalhar com grandes nomes da música nacional e internacional como Jorge Palma, Mico da Câmara Pereira, Daryl Struermer (Phil Collins/Genesis), Steve Hackett (Genesis), Chen Liony (cantora israelita), Liza Veiga, Pedro Madaleno, The Lucky Duckies, Denny Newman, Caroline Dawson, Rui Drumond, Lara Afonso, entre muitos outros...

 

 

Actualmente, em palco assume a função de guitarrista nos projectos “Depeche 101 - Tributo a Depeche Mode”, “Taboo Blues Band”, “Max Costa & The Big Fat Blues”

 

 

e “Madrediva”, sendo que nestes dois últimos é também director musical. Paralelamente, trabalha em estúdio como músico de sessão e produtor musical para alguns artistas.

 

Gere ainda, no youtube, o  Canal Johnny Guitar onde faz entrevistas na rúbrica Brainstorm. Este canal completamente dedicado à música, conta ainda com aulas de guitarra dadas pelo próprio artista, interpretação de covers instrumentais, directos com outros artistas assim como vídeos abordando outros temas.

 

Vamos conversar com João Serra Fernandes.

 

AMMA: Antes de se iniciar na música em 1991, já tinha tido esse desejo anteriormente?

 

João Serra Fernandes:

O meu pai era músico, fez parte de uma das míticas bandas portuguesas dos anos 60. Apesar de nunca o ter visto actuar, porque cedo trocou os palcos por “um emprego estável”, cresci a admirar as fotos dele em palco e com uma guitarra lá em casa pendurada na parede da sala, que sempre me intrigou. Obviamente, que logo desde muito cedo quis agarrar naquela guitarra e subir a um palco, como o meu pai.

 

AMMA: Quais foram as bandas e artistas de influência ao longo da sua vida?

 

JSF: Essa não é uma pergunta de resposta fácil para mim… Em diferentes fases da minha vida, tive diferentes influências musicais, mas posso destacar os que se mantiveram até aos dias de hoje. Chet Atkins, David Gilmour, Mark Knopfler, Gary Moore, Brian May, Angus Young, Steve Vai, Satriani, e mais outros tantos…

 

AMMA: Em 1993 quando decide entrar na escola de música, já tinha em mente um estilo que queria seguir, ou teve influência dos professores?

 

JSF: De todo… Aliás, nunca me colei a um único estilo, tanto que estou envolvido em projectos de blues, rock, electrónica e música tradicional portuguesa.

Na escola, tive a oportunidade de abordar e estudar vários estilos, com maior incidência no jazz, no blues e no rock. O contacto com os professores e com outros alunos, fez o resto.

 

AMMA: Como se deu o início à sua carreira profissional em palcos com os grandes músicos portugueses? De início ficou nervoso, estava tranquilo?

 

JSF: Devia ter uns 16/17 anos. Por brincadeira comecei a tocar nos Trovadores e o Fernando (dono) começou a pagar-me um pequeno cachet para o acompanhar (acho que às terças feiras), daí até me cruzar por lá com músicos dos Trovante, Quinta do Bill, Quadrilha, com o próprio Rui Veloso, entre muitos outros, foi um pequeno passo.

 

AMMA: Com qual deles teve mais presenças? Correram várias salas de espectáculos em Portugal, chegaram a fazer espectáculos no estrangeiro?

 

JSF: Portugal é um país pequeno e facilmente corremos as salas mais importantes com um artista.  Este ano, por exemplo, estava preparada uma mini tour em Itália e no Brasil, com Max Costa & the Big Fat Blues que entretanto foi adiada, pelas razões que todos conhecemos.

 

AMMA: Quando se dedica à produção de espectáculos e à fotografia, deixa os palcos. Foi uma mudança significativa na sua actividade. Como era dividido o seu tempo por duas tarefas completamente diferentes ligadas à actividade musical?

 

JSF: Ambas as actividades muitas vezes acabavam por se complementar. A fotografia, tendo formação na área de fotografia de espetáculo, para mim era uma mais valia e mais um serviço que a empresa fornecia.

 

 

AMMA: Como nasceu a UpMusic Talents? Os primeiros passos ainda foram complicados, ou já tinha bases sólidas para levar o projecto em frente?

 

JSF: A UpMusic Talents, nasce ainda sob o nome de Upstage Produções. Nunca é fácil arrancar com um projecto destes “a solo”, mas ao fim de anos a trabalhar na estrada para terceiros, senti que era o passo natural a dar.

 

AMMA: Mesmo com as funções de Director Artístico e Director de Produção da UpMusic Talents continua a pisar palcos com diversos nomes da música portuguesa e mesmo internacional. Que projectos mais interessantes lhe surgiram nesta época?

 

JSF: Sem dúvida que terei que destacar a artista israelita Chen Liony. Apesar de ter estado mais focado na produção do álbum dela e só mais tarde actuarmos juntos, foi um verdadeiro desafio. Não só porque tive a oportunidade de trabalhar com o Jorge Palma, para mim um dos génios da música em Portugal, e porque a cultura israelita é uma cultura muito diferente da nossa. Recordo-me de um espetáculo que demos para a comunidade israelita em que um dos temas finais era em hebraico. O tema era acompanhado só por mim, à guitarra e eu não percebia uma única palavra do que a Chen cantava. Foi um desafio interessante.

 

 

AMMA: Que instrumentos musicais toca neste momento e qual deles o seu preferido?

 

JSF: A minha formação é em guitarra, mas toco piano e baixo também. Obviamente que a guitarra é o que me preenche mais e no qual tenho uma “linguagem mais fluente”

 

AMMA: Em termos de guitarras, qual é a sua favorita (marca/modelo)?

 

JSF: Pergunta muito complicada… Se perguntarem a um guitarrista quantas guitarras precisa, a resposta mais comum é: Mais uma do que as que tenho. Claramente já fui mais ligado a marcas, até porque hoje em dia, há marcas “low budget”, com grande qualidade.

Ao vivo, dependendo do projecto posso pender mais para a Fender (telecaster e stratocaster) ou para a Gibson (Les Paul e 335), mas diria que a 335 está praticamente presente em tudo, dada a sua versatilidade. Noutros projectos uso Gretsch e Taylors, também.

 

AMMA: Do tempo que passa em estúdio versus o tempo de actuação em palco, qual é o mais exigente e desafiante?

 

JSF: Ambos têm os seus tempos de exigência e os seus desafios. Em estúdio, tudo tem que ficar perfeito, até ao mais pequeno pormenor. Já em palco, de tudo pode acontecer e nem sempre está nas minhas mãos.

 

AMMA: Como é ser Director Musical de “Max Costa & The Big Fat Blues” e “Madrediva”? São dois projectos muito diferentes entre si?

 

JSF: Madrediva é projecto muito recente, nasce da ideia de se criar uma fusão entre o canto lírico, a música tradicional portuguesa e o fado. Exige alguma pesquisa e cuidados nos arranjos. Com os Big Fat Blues, a linguagem que o Max aborda nos seus temas, permite-me dar asas à imaginação, inclusive às vezes compomos em parceria, o que me parece resultar bastante bem, uma vez que falamos a mesma linguagem. O Blues é universal e neste caso, transatlântico, uma vez que junta o Brasil e Portugal no mesmo projecto.

 

AMMA: Assumir a Produção destas duas bandas, com as outras emque também é músico, em tempos normais (fora da pandemia) preenchem-lhe o seu tempo por inteiro?

 

JSF: Não, de todo. Tem de sobrar tempo para gerir a UpMusic Talents que não produz só espetáculos, mas também eventos, como o Baile Veneziano, ou a Gala Glamour & Solidariedade, por exemplo, que são eventos anuais.

 

AMMA: Como estamos em tempos de pandemia, a cultura também está “muito doente” tendo muitas pessoas a passar maus bocados. Como é que os artistas e as suas equipas conseguem sobreviver financeiramente com as actividades paradas há tanto tempo?

 

JSF: A palavra é mesmo sobreviver… Sinceramente não sei, como todo este sector tem sobrevivido… Muitos, venderam instrumentos, outros ficaram sem as suas casas e regressaram a casa dos pais… Outros contam com ajudas de amigos e de iniciativas privadas de instituições como a União Audiovisual, por exemplo. Mas se chegarmos ao fim disto, não foi com certeza com a ajuda do governo…

 

AMMA: Os trabalhos de estúdio, desenvolver temas, ensaios e gravação de discos também têm estado parados?

 

JSF: Se a parte técnica  está parada, a criatividade não pára. Não é uma pandemia que nos vai impedir de compor e criar novos temas, felizmente.

 

AMMA: Antes deste actual confinamento, a lotação das salas de espectáculos já estavam com a capacidade reduzida, seguindo as regras da DGS. Em salas mais pequenas cuja lotação não dava para abrir portas a um espectáculo só com público, houve artistas a fazer streaming, ou a vertente mista com público e streaming. Como prevê que seja o futuro da cultura após pandemia, o streaming veio para ficar como complemento financeiro à bilheteira da lotação da sala?

 

JSF: Do meu ponto de vista, acho complicado que seja um complemento de bilheteira. Até pode ter vindo para ficar, como uma forma de divulgação “live” do trabalho dos artistas, mas não pode, nem deve, substituir a experiência de assistir a um espetáculo ao vivo.

 

AMMA: O Canal Johnny Guitar surge em que altura? Qual foi a ideia principal ao criar este ponto de contacto com os fãs e o mundo da cultura?

 

JSF: O Canal Johnny Guitar, surge precisamente no inicio desta pandemia como uma maneira de tentar manter viva a chama da Cultura, de alguma forma. Surge também para nos manter a mente ocupada lá em casa, uma vez que havia tempo livre a mais logo no inicio da pandemia.

 

 

AMMA: O programa Brainstorm é o ponto chave do canal?

 

JSF: O Brainstorm, complementa um pouco a ideia de divulgarmos de alguma forma  a cultura e os nossos artistas, nesse sentido acaba por ser muito importante para o canal, sim.

 

AMMA: A UpMusic Talents tem uma ligação ao projecto União Audiovisual que apoia artistas e pessoal da cultura carenciados. Como é que surgiu esta ligação? Que curiosidades já tiveram na vossa ligação a esta causa?

 

JSF: Não é diretamente a UpMusic Talents, mas sim o Canal Johnny Guitar. Através do nosso canal, conseguimos fazer algumas parcerias que nos permitiram angariar bens alimentares que têm sido entregues regularmente à UA. Paralelamente a isso, a equipa do Canal Johnny Guitar, acaba também por se juntar aos muitos voluntários da associação.

 

AMMA: Quando a pandemia passar, o mundo será diferente em muitos aspectos, mas alguns serão idênticos ao passado. Que conselho gostava de deixar em especial aos jovens músicos e às chamadas bandas de garagem (que passam todos por muitas dificuldades) para que consigam levar os seus projectos para a frente sem os deixar morrer?

 

JSF: Nunca a música foi um negócio fácil. Se acreditam no vosso potencial e nos vossos projecto dêem tudo o que têm e não desistam. Vão à luta, mostrem a vossa música, batam à porta das editoras, dos agentes, sejam persistentes.

Podem ter a certeza que mais cedo ou mais tarde vão ser recompensados.

 

Texto e Fotos: Pedro MF Mestre

 

 

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segunda-feira, 10 de maio de 2021 – 05:41:45

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