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"Alicerces Karatecas" por André Neves

 

André Neves, é um jovem de 17 anos praticante de Karaté e amante da escrita. Junta estas duas valências e nasce a obra "Alicerces Karatecas". No mesmo ano o atleta é convocado pela primeira vez para um campeonato Europeu de Karaté.

 

O autor e karateca descobre a sua aptidão para escrita aos 12 anos, inicia o Karaté também ainda muito novo para combater a hiperatividade. A paixão pela Arte Marcial foi crescendo e gosta de transmitir aos outros os valores que adquire dojo.

 

Na sua família não está sozinho nas artes marciais, a sua irmã Alexandra é vice-campeã do mundo de Karaté.

O livro "Alicerces Karatecas" é mais que um livro sobre o Karaté em si. Leva a viajar numa história fictícia com possíveis acontecimentos do dia a dia na vida de qualquer um de nós. O Karaté acaba por se enquadrar também nas emoções. A obra leva a viver a vida quotidiana mas com o Karaté incutido nela. Aqui a Arte Marcial revela-se muito mais que uma disciplina de luta, também tem a componente dos valores, da disciplina, do controlo pessoal. André Neves, consegue ter o Karaté tanto na prosa como na poesia da sua obra.

 

AMMA: Começa a praticar Karaté com 6 anos para controlar a hiperatividade e a escrita aos 12. Aos 17 anos juntou as duas paixões e nasceu o livro "Alicerces Karatecas". Já estava a pensar nisso há algum tempo, ou foi quase espontâneo?

 

André Neves: Bem, como disse escrevo desde os 12 anos. Embora tenha começado cedo a escrever, só com 17 anos é que ganhei a maturidade que me faltava para abordar diversos assuntos. Este livro, decidi escrevê-lo após ter participado num campeonato internacional. Como deve imaginar, para qualquer atleta é um sonho. Toda a energia que senti, despertou-me um interesse em abordar este tema. Embora que possa parecer um livro de Karaté, decidi escrever este livro, abordando uma filosofia que o desporto, neste caso o Karaté, consegue mudar a nossa vida, utilizando diversos conteúdos fictícios, mas, considero que essa participação no Europeu, despertou algo em mim, que quis logo escrever esta aventura.

 

AMMA: Agora também foi convocado para o Europeu de Karaté. Qual foi a emoção quando soube? Como correu esta participação na competição?

AN: Foi um sentimento inexplicável. Achava que não era capaz, mas foi como se todo o esforço que tive, acabasse por valer a pena. A competição não correu como esperava, mas saí com a noção que amadureci, e que, agora que sei que consigo, lutar por mais oportunidades como esta é um objetivo.

 

AMMA: Quando diz que "O karaté não é só um desporto de luta,  mas também de disciplina, máximas e aprendizagens" está a transmitir a filosofia base da Arte Marcial. Ambiciona vir a ser Sensei, para dar continuidade à passagem dos conhecimentos do seu Sensei?

AN: Sendo o mais sincero consigo, não me vejo como Sensei/instrutor de Karaté. Vejo-me mais a ser mais um a ajudar a geração futura, transmitindo todos os conhecimentos que os meus Senseis passaram. Não é uma obsessão ser o Sensei, mas terei toda a disponibilidade e alegria em ajudar os próximos.

 

AMMA: Quando admite que "todos usam um bocadinho do Karaté sem perceberem", onde quer chegar? Todos nós mesmo não conhecendo a Arte Marcial em si temos atitudes que se identificam com a sua filosofia?

AN: Na minha perspetiva, acho que todos usamos o Karaté por diversas razões. À primeira vista, parece um desporto de pancadaria, mas, quem pratica esta arte, com vontade e interesse desde o início, entende que há muito mais do que meros seres humanos a lutar. O Karaté segue uma linha de pensamento, temos 5 máximas que pretendemos seguir. Tais como o Caráter, a Sinceridade, o Esforço, a Etiqueta e o Controlo ou Autocontrolo. Como pode ver, entende que estas 5 máximas, são utilizadas no nosso dia a dia. Sejam elas em momentos de felicidade, ou nas adversidades da vida. Onde quero chegar com isto? Com o facto de que, a nossa linha de pensamento usa muito a filosofia do Karaté. E com isto, sabemos abordar qualquer situação da nossa vida.

 

AMMA: Duas expressões que utiliza "Nascemos, crescemos e partimos com o Karaté" e "Viver a vida com diversão e humildade", de onde vem esta influência? 

AN: A primeira expressão, foi uma expressão que o meu Sensei dizia muito. O que ele queria dizer com isto? Embora que os desportos muitas vezes, tenhamos aquele momento em que estamos no auge, e de seguida vamos pensando mais em retirar-nos do mesmo, seja pela idade, pelas lesões ou por outros motivos. O Karaté é dos poucos desportos que pratica-se para o resto das nossas vidas. Claro que um Futebolista, após a reforma, pode continuar a jogar à bola, mas, não será em alta competição. Já o Karaté, vemos atletas com mais de 50 anos a competir. Para além de que, o Karaté está presente nas nossas vidas do início ao fim.

Quanto à segunda expressão, essa expressão foi uma Auto motivação. Ou seja, com os valores e ensinamentos que os meus pais me passaram, formei uma expressão que uso em qualquer situação. O que procuro com esta expressão é, não precisamos de falhar e culpar meio mundo sem pensar direito. Ou, até mesmo não sorrir ou não saber perder. Com esta expressão, consigo aceitar derrotas, reconhecer o que não correu bem, e, deixar um bom clima entre mim e as pessoas à minha volta. 

 

AMMA: Alguma vez experimentou outra Arte Marcial ou esteve em contacto com ela por exemplo em Estágios Interestilos? Se sim, acha que é uma aprendizagem útil, mais que não seja para perceber o seu âmbito e o seu caminho?

AN: Inicialmente, não escolhi o Karaté. Como já disse, por causa da hiperatividade, o médico aconselhou-me praticar Karaté, de modo a facilitar a minha concentração. A partir daí, foi amor à primeira vista. Nunca experimentei outros estilos, nem tenho interesse. Gosto do que faço, e sinto-me bem a fazê-lo. Acho que o Karaté é uma aprendizagem muito útil. Não só pelo que transmite, mas também pela forma como as pessoas conseguem gostar dela. E, perceber que não é luta, mas sim uma filosofia bastante madura. Também é importante para as crianças, especialmente atletas como o meu caso. Já vi crianças muito hiperativas a irem para o Karaté, e hoje em dia, estão muito bem formados.

 

AMMA: Quanto ao livro, a viagem a uma vida fictícia em que envolve o Karaté no seu dia a dia, não o combate, mas sim a filosofia, tanto nos momentos de prosa como de poesia, foi um caminho fácil?

AN: Não foi fácil. Primeiro porque é um tema muito complexo, segundo porque é difícil transmitir a ideia de Karaté atualmente. Estive muito tempo a tentar decobrir como ia escrever este livro. Até que, mergulhei em histórias fictícias, com personagens inventadas, juntei a filosofia do Karaté. Acho que foi um "Casamento perfeito". Também tive muita dificuldade, na questão da estrutura. Consigo escrever poesia com mais facilidade do que prosa. Gosto de fazer jogos de palavras e deixar versos que deixem os leitores a refletir. Quando apanhei o jeito, nunca mais parei de escrever.

 

AMMA: Relativamente à inspiração, foi uma paixão fluída? Teve fins de semana e noites prolongadas pela escrita da obra? Como conseguia por travão nas horas tardias sem perder o fio condutor que naquele momento estava a inspirá-lo?

AN: Sim, tive dias e dias focado no livro. Até porque a cada treino que ia, mais ideias tinha para o livro. Seja algo que fiz ou tenha aprendido. Quanto ao perder o rumo, nunca perdi. Devido ao facto, de que quando começava a escrever, as ideias nunca ficavam esquecidas.

 

AMMA: Teve que ler e reler até chegar ao que queria expressar, ou não necessitou de passar por essa fase?

AN: Muitas das vezes, pedia aos meus familiares para lerem o que escrevia. Porque assim, imaginava como os leitores iriam ficar ao lerem o que escrevia. Reli cada história diversas vezes, devido a meros detalhes, como o que ficava melhor, talvez o final da história pudesse ser diferente, a mensagem pode não ser bem interpretada. Quando senti que estava no ponto, foi aí que decidi que estava bom daquela forma.

 

AMMA: Em termos literários, como melhor classifica esta obra?

AN: Esta aventura fictícia, foi um grande trabalho. Não consigo a avaliar, prefiro deixar para quem quiser ler. Mas posso dizer que, talvez a forma de olhar para as coisas seja diferente. Eu até mesmo escrevendo um livro sobre esta matéria, a minha maneira de ver as coisas mudou. Acho que é importante amadurecer as nossas ideias, e, espero que consiga despertar essa estrutura das pessoas. Misturando a poesia com a prosa, como se vissem diversos mundos, diversas situações, e que cada personagem talvez possam usá-la como motivação.

 

AMMA: Aqui nasceu um precedente, um livro sobre uma arte que faz parte da sua vida. Já está a pensar no próximo trabalho? 

AN: Já estou perto de lançar um próximo livro. Aliás, quando estava a acabar de escrever este primeiro livro, já iniciava as próximas obras. Pretendo lançar até ao final deste ano, ou no início do próximo, e posso garantir que será algo totalmente diferente deste primeiro.

 

AMMA: De que forma se pode adquirir este livro? Livrarias, Lojas Online, Pessoalmente?

AN: Podem adquirir no site da editora primeiro capítulo,  e da Atlantic Books. Pode ser pessoalmente,  e brevemente estará na Fnac, Bertrand, Wook, etc. Também estará na livraria Sousa Martins em Lisboa.  Claro que também está disponível online.

 

AMMA: Queria pedir para deixar uma mensagem aos nossos leitores que tenham também paixões idênticas às suas, tanto da escrita como das Artes Marciais, para que com base na sua experiência, os motive a continuar na sua "luta" e não desistir na primeira queda?

AN: No quesito das Artes Marciais, a nível competitivo aconselho a não colocarem imensa pressão. Ou seja, mesmo que sejam os maiores campeões, não se enervem com o "e se não conseguir novamente?". Essa pressão adicional, dificulta o nosso bem-estar, e a nossa maneira de encarar as coisas. Mente aberta, sem pressão, consegue-se tudo.

Na escrita? ainda sou novato neste meio. Porém, aconselho a escreverem tudo o que vai na vossa cabeça. Escrevam palavras, formem frases, formem segmentos, e chegam lá. O mais difícil é o título do livro, a história cada um consegue contar.

Nas dificuldades, quer no desporto ou na escrita, continuar o nosso caminho. Quem critica não suporta o nosso momento. Como se diz " Os cães ladram e a caravana passa", as vozes menores  tornam-nos maiores.

E se não conseguirmos manter o nível, devemos voltar atrás e tentar entender o processo de melhoria. Não é fácil, mas no final vale sempre a pena.

Mas sempre com humildade e felicidade, naquilo em que fazemos.

 

Texto: Pedro MF Mestre

Foto e capa: Cedidas por André Neves

 

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segunda-feira, 15 de julho de 2024 – 14:39:12

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