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"Mesmo que tenhas que parar, nunca desistas" com Vincent Schaefer

Hoje falamos com o ex-atleta holandês Vincent Schaefer. Ele iniciou-se nas Artes Marciais aos 12 anos, treinando e competindo em Taekwondo. Este “romance” durou 20 anos. Teve que parar, contudo conseguiu gerir e superar essa paragem, o que não é fácil para atletas qualquer que seja o seu desporto. Vincent fala do seu percurso, para que consigamos mais facilmente compreender a sua superação.

 

As suas grandes influências nas Artes Marciais foram Bruce Lee, Jean-Claude Van Damme e  Mohammed Qissi.

 

Jean-Claude Van Damme e Mohammed Qissi foram as suas maiores referências. Vincent tem sempre em mente os seu principais filmes “Blood sports”, “Lionheart” and “Kickboxer”, onde estes dois amigos lutam juntos no cinema. Eventualmente conheceu Mohammed Qissi, uma honra para si, algo que lhe fica para sempre. Ele já nos vai contar como aconteceu.

 

De todos estes grandes nomes das Artes Marciais do cinema com a sua grande experiência e arte influenciaram Vincent a iniciar Taekwondo. A maior foi sem dúvida Mohammed Qissi.

 

O Taekwondo ajudou-o sempre que tinha uma situação delicada na sua vida. Segundo Vincent esta Arte Marcial treina o corpo, a mente e faz crescer o respeito, a humildade e a perseverança.

Ele continua a gostar muito desta Arte Marcial, contudo neste momento não consegue praticar. Mesmo assim Vincent continua a fazer treinos diários para manter o corpo e a mente sãos.

AMMA: Quando iniciou Taekwondo aos 12 anos de idade, o seu objectivo era chegar a actor de Artes Marciais, como os seus ídolos, mesmo com estilos diferentes do seu?
Vincent Schaefer: Não era realmente  um objectivo, era uma espécie de sonho, compreende? Claro que temos que ser realistas que a oportunidade é muito reduzida para entrar na industria do cinema e eu era muito novo naquela altura, mas certamente todos sonhamos. Não há nada de errado nisso (risos). Eu escolhi iniciar o treino no Taekwondo tendo em conta que é uma arte especializada em técnicas de pontapé. Eu copiava todas as técnicas de pontapé no ar que o Jean-Claude Van Damme usava nos seus filmes. Era maravilhoso. Dá um sentimento de liberdade no ar, ser flexível e enérgico.

 

AMMA: A parte mais espiritual desses filmes, também teve uma importância muito grande para si. Que aprendizagens tirou dela sendo um aluno de Artes Marciais iniciante e mais tarde quando se desenvolveu?
VC: Para mim é um sentimento muito difícil de explicar. É algo de fascinante, belo e interiorizante. É  mais uma forma de expressão pessoal: a linguagem da alma onde superas o teu ego (risos). Acaba por ser para aquilo que nos esforçamos.

 

AMMA: Como conheceu o seu ídolo, Mohammed Qissi? Foi uma aventura?
VC: Algumas vezes nós conversávamos por chat, e uma vez percebi que ele estava perto da minha casa, então convidei-o para tomar um café e ele respondeu convidando-me a mim para tomar o pequeno almoço no hotel onde ele estava juntamente com a Cynthia Rothrock e o Billy Blanks que já lá estavam quando eu cheguei. Foi uma grande surpresa. Depois trouxe-o da Bélgica para a Alemanha no meu carro. Claro que me senti muito honrado com isso.

AMMA: O seu Mestre de Taekwondo certamente treinou-o a si e aos seus colegas em adquirir técnicas e fortalecimento para a mente e o corpo, à parte da técnica da Arte Marcial? Quais interiorizaou na sua mente, fazendo parte da sua vida?
VC: Honestamente o meu treinador, treinou-nos maioritariamente para competir em torneios. Todos os treinos era sempre o mesmo: repetir, repetir, repetir e suar. Em casa, lia livros acerca da arte, mas o facto do Taekwondo ter um conjunto de técnicas em que nós treinamos ao longo dos anos para atingir a perfeição nelas até que se torne uma “segunda natureza”. Nunca mais se esquece, mas fica-se fisicamente mais rígido se não mantém o treino para manter flexível.

 

AMMA: Nestes 20 anos de prática de Taekwondo, foram muitas horas de treino e muitos combates. Foi uma decisão difícil de tomar para parar depois destes anos? O que o fez parar?

VC: Após muitos anos, acaba por chegar a uma altura em já não se está a aprender nada mais. Não quero dizer que é aborrecido treinar, mas a paixão vai diminuindo… também porque crescemos, ficamos mais velhos, então não foi uma decisão difícil para mim, mesmo sabendo que eu posso sempre treinar-me a mim próprio seja onde for. Nós temos um corpo, assim a vantagem nestes tipos de desportos é que pode-se praticar em qualquer lugar: em casa, no exterior ou mesmo numa pausa se o entender (risos).

 

AMMA: Para cobrir esta falha do treino de uma Arte Marcial necessita de definir uma estratégia para o ajudar a manter uma boa mente e corpo. O que fez para superar isso?

VC: Honestamente o meu estado de espírito consegue alterar facilmente de cima para baixo. Verdade é manter a diferença entre ambas o menor possível. Assim que percebo que não me sinto bem, em baixo ou fraco, por exemplo, eu tento “empurrar-me” para cima e praticar algo, não interessa o quê: corrida, flexões, saco de boxe, até os meus níveis de energia estarem novamente equilibrados.

AMMA: Para os praticantes de Artes Marciais que por vezes se lesionam e necessitam de deixar a sua Arte Marcial. Que lhes quer transmitir para que não entrem em depressão e mantenham uma mente e corpo saudáveis tal como fez consigo?
VC: Façam somente o que puderem. A não ser que que esteja completamente paralisado, consegue fazer sempre algo. Se tem problemas ao nível das pernas: use os braços ou vice versa. Não fique parado a lamentar-se. Como dizia Bruce Lee: “Continue a caminhada”.

 

AMMA: A força interior que o Taekwondo o preparou para a vida, chegou a praticar em algumas situações?

VC: Sim, fez-me sempre superar quando a vida me atira ao chão. Literalmente restabelece-me de energia para que me levante de novo, seguir e andar em frente. Não há outra hipótese… todos nós passamos por maus momentos na vida e todos somos diferentes: um vai trabalhar outro vai beber. Para mim sempre foi e continua a ser: TREINAR!

 

AMMA: Acerca dos seus filhos… está a pensar motivá-los a praticar Artes Marciais?

VC: Sim, ambos praticam Karaté. Eles são muito novos, tenho esperança que eles  continuem a gostar mesmo no futuro. Mas sim, tenho motivado sempre a não desistirem e as vantagens de uma Arte Marcial.

 

AMMA: Algumas palavras para os nossos leitores motivando-os a começar a praticar Artes Marciais, e para os que as praticam, as boas práticas para seres bons praticantes.
VC: Artes Marciais são boas para todos: novos, velhos, nacionalidades, raças, género ou mesmo religião.

TODOS conseguem treinar, não interessa quem é.

Motiva-nos a ser pessoas melhores.

Mantém-nos saudáveis.

Dá-nos autoconfiança e treina a autodefesa.

Através do treino tornamo-nos pessoas mais humildes, proporciona-nos a conhecer-nos melhor, ter mais respeito próprio e  entregar esse respeito aos outros.

 

Texto: Pedro MF Mestre

Fotos: Arquivo de Vincent Schaefer

 

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segunda-feira, 15 de julho de 2024 – 01:51:11

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