Alterações de humor, irritabilidade e depressão afetam cerca de 50% dos Doentes de Cushing
A Doença de Cushing é um distúrbio endócrino raro, mas grave, causado por um tumor benigno na hipófise que leva ao excesso de cortisol. “O cortisol é uma hormona vital pois regula o metabolismo e a função cardiovascular, ajudando assim o organismo, a responder adequadamente a situações de stresse. Esta desregulação causa, entre outras, alterações ao nível do humor, irritabilidade e depressão, em cerca de 50% dos doentes”, explica a Drª. Isabel Torres, Coordenadora do Grupo de Estudos dos Tumores da Hipófise da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM).
A incidência anual da Doença de Cushing é de 5-10 casos por 1000000 de indivíduos(1), afetando 4 vezes mais mulheres do que homens (2,3), e geralmente, com idades compreendidas entre os 40 e os 59 anos (2,3).Os doentes de Cushing apresentamsinais como: inchaço, vermelhidão e arredondamento da cara; aumento de gordura na parte de trás do pescoço e obesidade central (tornando o tronco grosso e braços e pernas mais finos). Por outro lado, a pele torna-se mais fina, as nódoas negras são quase constantes, podendo ainda existir estrias roxas no abdómen, mamas e coxas.
“O diagnóstico do Cushing é, frequentemente, difícil podendo demorar anosaté ser efetivado, o que se deve à inespecificidade de alguns sintomas e ao facto de os sinais referidos nem sempre serem evidentes, pelo menos numa fase inicial. A Doença de Cushing associa-se frequentemente a outras comorbilidades, como a obesidade, a osteoporose, a hipertensão arterial, a diabetes tipo 2 e a dislipidémia (colesterol elevado), de elevada prevalência na população em geral, mas que nestes doentes são mais graves e de mais difícil controlo” acrescenta a especialista.
Quando não tratada, a Doença de Cushing pode reduzir substancialmente a qualidade de vida destes doentes, sendo a taxa de mortalidade 4 vezes superior à da população geral. O tratamento desta patologia é feito através de uma cirurgia com anestesia geral – através de um pequeno corte na base do nariz - em que o neurocirurgião chega à hipófise, sem necessitar de “tocar” no cérebro.
Em caso de ausência de cura, poder-se-ão fazer outros tratamentos, como radioterapia ou terapêutica médica. Recentemente, o Comité Europeu para os Medicamentos de Uso Humano (CHMP) emitiu um parecer positivo para uma substância que se apresenta como uma nova esperança para os doentes de Cushing, a qual normaliza os níveis de cortisol, com uma evidente melhoria nos sinais e sintomas clínicos e consequente impacto positivo na sua qualidade de vida.
Sobre a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM):
Sociedade Científica sem fins lucrativos fundada em 1949 por um grupo de médicos e cientistas de grande prestígio em Portugal e estrangeiro, ligados às doenças do metabolismo, em particular às doenças da tiróide e à diabetes.
A SPEDM tem na sua estrutura organizativa Grupos de Estudo sobre áreas específicas da sua especialidade, com intensa atividade e representatividade nacional. Os Grupos de Estudo têm produzido importantes textos como pareceres e diretrizes de diagnóstico e tratamento de diversas patologias endócrinas.
Estes textos, com reconhecida idoneidade científica, têm sido publicados em revistas médicas nacionais.
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- William’s Textbook of Endocrinology, 12th Edition.
- Newell-Price, J. The Diagnosis and Differential Diagnosis of Cushing's Syndrome and Pseudo-Cushing's States. Endocrine Reviews. 1998;19(5): 647-672
- National Endocrine and Metabolic Diseases Information Service. Cushing's Syndrome. Available at: http://endocrine.niddk.nih.gov/pubs/cushings/Cushings_Syndrome_FS.pdf. Accessed December 2011