Portugal perde com a Turquia mas conquista primeiro ponto na Billie Jean King Cup by Gainbridge

 
Portugal perde com a Turquia mas conquista primeiro ponto na Billie Jean King Cup by Gainbridge
 
- Seleção nacional enfrenta Países Baixos na quarta-feira
- Jelena Ostapenko derrotada por duas vezes no grupo de Portugal
- Maria Sakkari estreou-se em Portugal com vitória num encontro de pares
 
Matilde Jorge e Maria Garcia sorriram no encontro de pares e deram a Portugal o primeiro ponto nesta edição do Grupo I da Zona Europa-África da Billie Jean King Cup by Gainbridge, mas a seleção nacional não foi capaz de evitar a derrota para a Turquia e terá de discutir um grupo a três do qual resultarão duas despromoções.
 
A jogar em casa, no Court Central do Complexo de Ténis do Jamor, em Oeiras, a equipa portuguesa começou por perder novamente os dois encontros de singulares em três sets e foi já no final do dia que quebrou a malapata.
 
Lado a lado pelo segundo dia consecutivo, Matilde Jorge (20 anos) e Maria Garcia (17 anos) voltaram a ser obrigadas a um match tie-break, mas desta vez seguraram a vantagem ganha na primeira partida e derrotaram Ayla Aksu e Berfu Cengiz por 6-4, 3-6 e 10-7.
 
“Estou muito contente, acho que jogámos bem. Ontem já o tínhamos feito, mas hoje ainda conseguimos jogar melhor e acabar este dia com uma vitória para ajudar a equipa é muito bom”, contou a mais nova. Para Matilde Jorge, que ainda não foi chamada a jogo em singulares, “foi uma alegria conseguirmos finalmente celebrar uma vitória porque perdemos os encontros anteriores por pormenores.”
 
O resultado reduziu à margem mínima a derrota contra a Turquia. A seleção visitante começou o dia a celebrar a vitória de Berfu Cengiz (324.ª classificada no ranking WTA) sobre Angelina Voloshchuk (760.ª), por 2-6, 6-3 e 7-6(3), e resolveu o frente-a-frente com uma recuperação de Zeynep Sonmez (159.ª) contra Francisca Jorge (190.ª), consumada com os parciais de 4-6, 6-0 e 6-3.
Chamada para ir a jogo pelo segundo dia consecutivo, Voloshchuk deu muito trabalho a uma jogadora oito anos mais velha. A jovem de 16 anos chegou a estar confrontada com uma repetição do cenário que viveu na véspera (perdeu por 4-6, 6-1 e 6-1 com Darja Semenistaja), mas um volte-face quando já parecia fora da discussão permitiu-lhe reentrar no embate.
 
A tenista mais jovem da equipa portuguesa esteve a perder por 4-0 no último set com 15-40 no serviço, mas recuperou o ténis ofensivo que a caracteriza, reergueu a cabeça, venceu quatro jogos consecutivos e ainda recuperou de 4-5 e 5-6 quando a adversária serviu para a vitória. Só que chegada ao tie-break decisivo não encontrou soluções para assinar a primeira vitória pela seleção.
 
“Comecei a lutar mais e tentei jogar de uma forma semelhante à do primeiro set. Depois de entrar mal no terceiro set consegui ir buscá-lo, mas faltou-me a força para o conseguir fechar”, lamentou Angelina Voloshchuk.
Novamente obrigada a vencer para manter Portugal na discussão de um frente-a-frente, Francisca Jorge entrou no segundo embate da semana com o pé direito e venceu o primeiro set.
 
Só que a adversária turca impôs a sua solidez do fundo do court para prevalecer em 1h52, num encontro em que a vimaranense colocou poucos primeiros serviços (52%), aproveitou menos de metade desses pontos (47%) e só conseguiu quebrar o serviço de Sonmez em três das 12 ocasiões, ao passo que a mais cotada fez seis breaks em 11 oportunidades e conquistou 67% de pontos com o primeiro serviço, com 69% de colocação.
 
A melhor tenista portuguesa da atualidade chegou a receber tratamento médico à perna direita antes do arranque do terceiro set, que explicou mais tarde, já em conferência de imprensa: “Não é uma
lesão. Senti a perna a prender um bocadinho devido ao esforço de ontem, porque joguei um encontro bastante duro e isso acabou por refletir-se no meu físico. Mas estou bem e sinto-me bem, simplesmente estava um bocadinho mais cansada e deixei que isso me afetasse de forma negativa. Mesmo com a equipa a puxar por mim não consegui agarrar-me às coisas mais positivas.”
 
A capitã nacional, Neuza Silva, olhou com esperança para os desafios que a equipa ainda terá pela frente: “Foi mais um dia resolvido a três sets. Um dia bastante intenso e cansativo para nós, que termina com uma vitória que foi reflexo do desenrolar do dia, que esteve quase a cair para o nosso lado e acabou por fugir outra vez por detalhes e aspetos que temos de corrigir para continuarmos na luta [pela manutenção]. A qualidade está na equipa, volto a dizer isso, e faltava esta vitória para nos dar alguma alegria e alguma energia positiva. Agora o que temos a fazer é descansar para os próximos dias porque continuamos na luta.”
 
Pouco antes de Portugal celebrar a primeira vitória da semana, os Países Baixos selaram a recuperação contra a Letónia no mesmo Grupo B, assegurando o primeiro lugar e a respetiva promoção.
Suzan Lamens (164.ª) foi a grande figura do dia ao derrotar a número 10 mundial Jelena Ostapenko (tem dois títulos WTA 500 este ano e venceu Roland-Garros em 2017) por 7-6(7) e 6-4 no segundo encontro de singulares, mas não só: poucos minutos depois regressou ao court com Demi Schuurs (top 10 da variante) e voltou a celebrar contra a mesma adversária (lado a lado com Darja Semenistaja) graças aos parciais de 7-6(3) e 6-3.
 
Estes resultados empurraram Portugal para o último lugar do Grupo B, uma posição da qual a seleção da casa já não conseguirá fugir e que obrigará à disputa de um outro grupo com os últimos classificados dos Grupos A e C, do qual só a equipa vencedora fugirá à descida de divisão.
 
Antes, já esta quarta-feira (11h no Court Central), Portugal ainda enfrenta os Países Baixos num embate que já sem influência no desfecho do Grupo B.
 
A jornada também contou com o regresso vitorioso de Maria Sakkari. A tenista da Grécia chegou esta manhã (jogou no sábado as meias-finais do WTA 500 de Charleston, nos EUA) e pouco depois foi a jogo no par, que venceu com Despina Papamichail por 4-6, 6-3 e 10-8 contra Elena Milovanovic e Lola Radivojevic para atenuar a derrota para a Sérvia (2-1), a seleção em melhor posição para conseguir o apuramento direto no Grupo C.
 
Atualmente no sexto lugar do ranking WTA, Sakkari já tinha estado em Portugal há um ano, a propósito do Grupo II da competição, mas nem treinou por estar adoentada.
 
Desta vez, quem está a viver uma semana difícil é a dinamarquesa Caroline Wozniacki, que depois de desistir na véspera  por estar doente nem chegou a pisar o complexo durante esta terça-feira.
 
A antiga número um mundial e vencedora do Australian Open de 2018 esteve escalonada para o encontro de pares, mas não foi chamada a jogo. Ainda assim, a Dinamarca venceu a Bulgária e logo nos singulares (triunfos de Johanne Christine Svendsen e Clara Tauson) para igualar a Hungria no segundo lugar de um grupo já ganho pela Áustria.
 

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