- Francisco Cabral vice-campeão de pares com Lucas Miedler
- Elmer Moller e Dalma Galfi passam por favoritos e erguem maiores títulos
Francisca Jorgee Matilde Jorge voltaram a fazer história no Complexo de Ténis do Jamor e sagraram-se bicampeãs do WTA 125 que a Federação Portuguesa de Ténis organizou em simultâneo com um ATP Challenger 125, torneio em que Francisco Cabral esteve perto de replicar a festa, mas que terminou como vice-campeão. Nos singulares, Dalma Galfi e Elmer Moller conquistaram os troféus mais importantes dos respetivos palmarés.

As duas melhores tenistas portuguesas da atualidade (99.ª e 106.ª classificadas no ranking da especialidade) viveram uma mini-epopeia nas últimas 48 horas e selaram a conquista do título com uma vitória por arrasadores 6-1 e 6-2 sobre a checa Anastasia Detiuc (80.ª) e à romena Patricia Maria Tig (306.ª).
Francisca Jorge e Matilde Jorge iniciaram a defesa do título no final da tarde de sexta-feira e tiveram de inverter uma desvantagem de 5-7 e 2-5 com três match points contra para resistirem ao embate da primeira ronda. Depois, passaram com tranquilidade pelos dois desafios de sábado e este domingo, exatamente um ano após a primeira conquista com a chancela WTA, subiram ainda mais o nível para colocarem a cereja no topo do bolo.
Lado a lado, esta foi a 21.ª conquista das irmãs naturais de Guimarães em provas do circuito internacional. Para Francisca Jorge, que celebra o 25.º aniversário já na segunda-feira, a revalidação no Jamor significou a conquista do 32.º troféu de campeã. Matilde Jorge, com 21 anos recém-cumpridos, ergueu o 25.º da galeria pessoal na variante.

Algumas horas mais tarde, Francisco Cabral esteve perto de emular a conquista das compatriotas e erguer o terceiro troféu mais importante da carreira, só superado pelos dois ATP 250 (Millennium Estoril Open e Gstaad) que ergueu em 2022. Mas o português e o austríaco Lucas Miedler — 57.º e 56.º do ranking de pares — cederam pelos parciais de 6-4, 3-6 e 10-8 contra os polacos Piotr Matuszewski (84.º) e Karol Drzewiecki (90.º), segundos pré-designados.
Apesar do desfecho, Cabral e Miedler terminaram o Oeiras Open 125 com a segunda final disputada no espaço de duas semanas, falhando por pouco a repetição do final feliz no Challenger 100 de Madrid.
Esta foi a terceira semana de competição consecutiva para a recém-formada dupla luso-austríaca, que retomará a parceria dentro de uma semana, no Millennium Estoril Open. Pelo meio, os dois terão uma viagem até Madrid, onde esperam competir ao lado de parceiros diferentes. O português inscreveu-se no ATP Masters 1000 espanhol ao lado de Guido Andreozzi e precisa de quatro desistências para disputar pela primeira vez uma prova desta dimensão, enquanto o austríaco juntou o nome ao de Hendrik Jebens e está um lugar à frente.
A jornada deste domingo também ficou marcada pela coroação dos novos campeões de singulares: Dalma Galfi (149.ª WTA) e Elmer Moller (148.º ATP).

Para erguer o mais importante dos 10 troféus da carreira (primeiro acima da categoria ITF), a húngara de 26 anos precisou de inverter uma desvantagem contra a norte-americana Katie Volynets (80.ª), segunda cabeça de série, que derrotou com os parciais de 4-6, 6-1 e 6-2 em 2h13.
O primeiro WTA 125 do palmarés surgiu à terceira tentativa, segunda no presente mês de abril após a derrota no derradeiro duelo numa prova da mesma estirpe em La Bisbal D’Empordá, em Espanha.
Sem chuva, mas com ameaças e muito vento a rondar o mítico Court Central, Galfi viu a mais cotada impor-se num primeiro set no qual as duas dispuseram de três break points, só que somente a californiana conseguiu concretizar.
No entanto, o set de desvantagem não traumatizou a tenista de 26 anos, ex-top 80 em 2022, ano em que atingiu no Jamor a semifinal do mesmo torneio, mas da categoria ITF W60. Esse primeiro set foi, aliás, o único que acabou por ceder em toda a semana – as duas tinham chegado à decisão imaculadas nesse sentido.
Em condições pesadas, a maior potência da número três húngara e o maior acerto no uso e abuso de amorties viraram a contenda e o forte arranque em ambos os parciais seguintes provocaram uma forte celebração. Não era para menos: ao maior troféu já conquistado e ao eliminar da seca de sucessos, Galfi garantiu uma subida no ranking de cerca de 25 lugares, mesmo com a perna esquerda, na zona do joelho, toda enfaixada há vários dias. O regresso ao top 100 fica a cerca de 20 lugares e 80 pontos de distância.

Depois, foi a vez de Elmer Moller fazer a festa e o dinamarquês foi bem mais autoritário: só precisou de 72 minutos para "despachar" o campeão em título e cabeça de cartaz Francisco Comesana (62.º) por 6-0 e 6-4.
Se estava nervoso ou reticente, Moller não o demonstrou. Pelo contrário: o jovem de 21 anos entrou na final com muita descontração, venceu os primeiros nove jogos do embate e chegou a liderar por 6-0 e 5-1 antes de permitir uma ligeira reação de Comesana, que sentiu um ligeiro nervosismo do outro lado da rede e ameaçou a recuperação.
A esquerda do dinamarquês — já tão elogiada por este mundo fora — foi a maior arma do embate, que durante parte do tempo só contou com winners de Moller. Comesana tentou igualar o poder de fogo do adversário, mas morreu na praia ao descartar as qualidades de terráqueo e deixou escapar aquela que seria a 10.ª vitória consecutiva no Jamor, uma série só ao nível da que Gastão Elias conseguiu quando venceu três torneios seguidos (de menor dimensão) entre 2021 e 2022.
Com os troféus de Braga e de Oeiras no palmarés (a estes dois, de campeão, junta quatro de finalista no circuito Challenger, um deles já este ano em Girona), Elmer Moller deu mais um passo de gigante em direção ao top 100 mundial e garantiu uma subida de 34 lugares na atualização desta segunda-feira, até ao 114.º lugar (superando o 136.º alcançado no início do mês).
Concluída a quarta edição do Oeiras Open 125, segunda com homens e mulheres na mesma categoria, o circuito feminino segue para o Clube Escola de Ténis de Oeiras, no mesmo município, onde já esta segunda-feira começa mais uma edição do Oeiras CETO Open — ITF W100 que terá sete jogadoras portuguesas em ação no qualifying a partir das 10 horas: Ana Filipa Santos, Amália Suciu, Analu Freitas, Teresa Franco Dias, Matilde do Canto Parreira, Carla Tomai e Catarina Moreira.
Gabinete de Imprensa do Oeiras Open 125
Gaspar Ribeiro Lança e Steve Grácio
Fotografias: Beatriz Ruivo/FPT e Álvaro Isidoro/FPT