Mototurismo no Nordeste abrasador - Troféu turístico da Federação finalmente chega a Bragança

40 participantes em 31 motos e oriundos de 10 motoclubes federados de todo o país viveram a estreia do MotoCruzeiro de Bragança como organizador de moto-ralis turísticos, no tórrido fim de semana de 6 e 7 de julho de 2013, rolando num itinerário muito bonito e essencialmente em redor da Serra da Nogueira.
 
Se há muito se diz que em Trás-os-Montes existem por ano 9 meses de inverno e 3 de inferno, estes dois dias provaram bem o ditado popular, com os mototuristas constantemente à procura de sombras ou água de rios e piscinas. Com os termómetros a marcaram mais de 40 graus em alguns vales encaixados, a canícula derreteu motociclistas mas não lhes tirou animação e vontade de regressar.
 
Os motociclistas de Bragança – sempre muito direccionados para concentrações, stunt-riding (pioneiros em Portugal) e raides TT – deram os primeiros passos nestas questões mototuristicas, não aproveitando todo o potencial dos carvalhais e soutos formidáveis da região, bem como o pitoresco das muitas aldeias que viram as motos a passar. Mas aos poucos vão lá, já que poucos recebem como os transmontanos.
 
Com uma etapa de sábado rolante e relaxada de 120 km, que teve como ponto alto o cume da Serra da Nogueira, os mototuristas consolaram-se de curvas e bons asfaltos dos concelhos de Bragança e Vinhais, interpretando um road-book extremamente simples. Um mergulho na Ribeira das Fraguinhas, uma corrida com saco de farinha às costas, a descoberta do forno de cozer telhas em Celas e o passar junto a castanheiros seculares fizeram passar a manhã desde a sede do MotoCruzeiro à aldeia de Rossas, onde a Junta de Freguesia apoiou o evento e serviu bons grelhados. Com mais uns moinhos comunitários, ermidas e o singular Mosteiro de Castro de Avelãs, terminava a etapa, calma e sem grandes surpresas.
 
Mas o que se desejava era mais água. Pouco depois a caravana revia-se dentro da piscina junto ao restaurante onde se haveria de jantar, ao ar livre a após o pôr do sol, para fugir à caloraça.
 
Uma noite livre – e quente - pelos bares da Cidadela encerrava o sábado e prometia um domingo ainda mais tórrido.
 
Moto-rali em caravana
 
Sem uma única pergunta, jogo ou surpresa, a 2ª etapa deste MR surpreendeu por isso mesmo. Uns controlos horários pelas aldeias de Rabal e Baçal e uns cafés oferecidos foram tudo até… à excelente visita ao Museu Abade de Baçal, onde dois caretos armados de varapaus saltavam aos motociclistas incautos. E conseguiram assustar alguns. O espólio deste espaço museológico é muito interessante e bem exposto. Mas haveria mais: em caravana, a comitiva foi apreciar outro museu, o Militar, dignamente situado no Castelo de Bragança. Dois em um. Com a visita guiada à Domus Municipalis, a foto de grupo acabaria por ser tirada no seu interior, fresco e diferente.
 
Esta manhã, mais parecida com um simples passeio em caravana, não haveria de mexer muito nas classificações e a Vera e Rui Oliveira, do Góis MC voltaram a revelar-se os mais certinhos, apanhando o gosto da vitória no último moto-rali, em Sintra.
 
Apesar do sétimo lugar, Vitor Olivença e Filipa saltaram à tangente para a frente do Troféu BMW/Michelin aproveitando a ausência de Fernando e Carla Silva.
 
Mas esta é a parte menos relevante do fim de semana. Na memória ficou a salva de palmas final aos organizadores do evento pois o Nordeste Transmontano tem um potencial enorme para grandes rotas mototurísticas. E todos queremos lá voltar!
 
O Troféu continua sob o signo das vindimas e lagaradas a 21 e 22 de setembro, com organização dos Moto Galos de Barcelos, no Alto Douro… Vinhateiro, claro!
 
 

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