Após um primeiro dia de treinos atípico, a garra e foco de Miguel Oliveira traduziram-se numa prova de classificação surpreendente, na qual o piloto conseguiu garantir a primeira pole da carreira, e a primeira de um português em qualquer uma das classes do Campeonato do Mundo. O resultado assinala ainda a segunda vez que o fenómeno se regista na Mahindra Racing. Positivo e motivado, o jovem piloto assume luta pelo pódio na corrida de hoje.
O clima instável em Assen, que desde quarta-feira tem demonstrado a sua imprevisibilidade e que foi responsável, ontem, pela queda de mais de uma dezena de pilotos na sessão de treinos livres, acabou por dar uma trégua inesperada na classificação de ontem.
Sob a ameaça de chuva, a maioria dos pilotos tentou obter um bom tempo logo desde os primeiros momentos, aproveitando o piso seco que, como se prolongou até ao final, fez com que a competitividade aumentasse nos últimos minutos. Em paralelo, Luís Salom, que se mantivesse na pole durante quase todo o tempo, acabou por se retirar da sessão, a apenas 4 minutos do fim.
Miguel Oliveira, que rodou em 1m43,588s, marca igualada por Márquez alguns segundos depois, aproveitou de forma inteligente a oportunidade e tornou-se no primeiro português de sempre a garantir a posição. Entusiasmado, revela: “Hoje, como não poderia deixar de ser, estou muito contente. É a primeira pole da minha carreira e isso cria boas expectativas, não só para mim como para o projeto e equipa”.
Com expectativas positivas para a corrida de hoje, mantendo, ainda assim, a concentração e a atenção ao piso, o piloto conclui: “Espero que o tempo se mantenha como esta tarde, afinal não me consigo encontrar com o asfalto como estava esta manhã, o que é raro. Como todos os pilotos, não gosto de água, mas normalmente até me dou bem”.
No seio da equipa, o sentimento geral é de grande satisfação, aliada a uma motivação e vontade de luta reforçadas para a corrida. “Amanhã gostaria de poder aqui neste circuito voltar a dar uma alegria a todos, como precisamente há 5 anos atrás, quando fiz tocar a portuguesa no pódio, mas como não compito sozinho, vou fazer todos os esforços”, explica Miguel Oliveira.