04 08

O Centro de Alto Rendimento de Voleibol de Praia em Cortegaça acolhe um estágio de elevado nível competitivo entre as principais duplas portuguesas e a comitiva alemã da estrutura de elite Beach Eagles. Sob a orientação tática do conceituado treinador principal Mattis Lehmann, a representação germânica junta duas duplas em fases distintas, mas complementares, de desenvolvimento e afirmação internacional.

 

A primeira dupla é constituída por Philipp Huster e Benedikt Sagstetter. Formados originalmente em 2022, os atletas preparam-se para retomar a parceria no Beach Pro Tour Elite de Itapema, agendado para o início de dezembro. Trata-se de um projeto desenhado estrategicamente pela federação alemã a pensar no futuro a longo prazo, focado nos ciclos olímpicos de 2032 e 2036. Philipp Huster, de 22 anos e natural de Hamburgo, impõe-se junto à rede com os seus 2,06 metros de altura. Ao seu lado, Benedikt Sagstetter, de 25 anos e natural de Munique, traz com os seus 1,96 metros a experiência acumulada de quem já competiu ao mais alto nível ao lado do seu irmão Jonas.

 

A segunda dupla é formada por Momme Lorenz e Tilo Rietschel, dois jovens de 22 anos que jogam juntos desde 2024 e perseguem o sonho de marcar presença nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Momme Lorenz, com 2,02 metros, atua como blocador e destaca-se pelo seu estilo agressivo e pelo perigo da sua «canhota» ao segundo toque. Tilo Rietschel assegura a defesa com 1,87 metros e é apelidado no circuito de “Professor” devido à sua capacidade analítica (programador), que o levou até a criar um jogo de Fantasy Manager de voleibol de praia. A dupla viveu em 2026 a sua afirmação definitiva no topo da modalidade: sagraram-se vice-campeões alemães ao disputarem a final contra Nils Ehlers e Lui Wüst, conquistaram o ouro na etapa de Berlim do German Beach Tour e alcançaram as medalhas de prata nos torneios Futures do circuito mundial em Malmo (Suécia) e Coolangatta (Austrália).

 

Toda esta dinâmica é coordenada por Mattis Lehmann, técnico que lidera a preparação do grupo Beach Eagles. Lehmann gere a evolução tática e física quer do escalão de elite de Huster e Sagstetter, quer da vertente jovem e emergente representada por Lorenz e Rietschel. Este trabalho em Cortegaça serve de motor de treino direto para a dupla portuguesa composta por João Pedrosa e Hugo Campos, integrando o plano traçado pelo selecionador nacional Ricardo Rocha no caminho rumo a Los Angeles 2028.

04 09

Rumo a Los Angeles 2028

 

João Pedrosa e Hugo Campos dão o pontapé de saída para aquela que será a temporada mais determinante das suas carreiras. Com os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 no horizonte, a dupla portuguesa inicia o longo e exigente percurso de qualificação, focada em garantir uma presença inédita no maior palco do desporto mundial. 

 

Com uma trajetória sólida no circuito internacional, Pedrosa e Campos somam conquistas de relevo desde os escalões de formação. O currículo inclui o título de campeões mundiais universitários em Maceió (2022) e a histórica vitória no Challenge de Edmonton (2023). A nível nacional, a dupla domina o panorama com quatro títulos de campeões nacionais, juntando ainda presenças em fases finais do Campeonato do Mundo e do Europeu de seniores.

 

«Vamos entrar na época mais importante dos últimos anos para nós, aquela que vai definir se nos qualificamos para os Jogos Olímpicos ou não. O nosso objetivo é bem claro: tentar chegar aos Jogos Olímpicos. Sabemos do que somos capazes e estamos muito contentes por ter chegado esta altura para fazermos o que gostamos», assumiu Hugo Campos.

 

O grau de exigência e a foco diário são também realçados por João Pedrosa, que nota uma mudança de mentalidade na equipa: «Nunca fizemos uma época tão direcionada e focada nesse objetivo. A diferença das outras épocas para esta é que temos isso em mente todos os dias e estamos a trabalhar com esse propósito. Traz uma pressão acrescida, mas nós queremos essa pressão.»

 

Para superar esta maratona de torneios com início no Brasil, a chave reside na regularidade das exibições. «Para nos qualificarmos, o mais importante é sermos consistentes, porque é uma qualificação quase de um ano e meio. Vamos jogar dezenas de torneios, por isso não basta sacar uma medalha no primeiro e depois não fazer mais nada. A nossa grande vantagem é que somos muito consistentes em todas as ações do jogo», explicou Hugo Campos.

 

Além do sonho olímpico, as metas passam por atingir patamares inéditos no circuito de elite mundial. «Apontamos para jogar nos maiores palcos: Campeonato do Mundo, Campeonato da Europa… Seria também um grande objetivo conquistar uma medalha numa competição de Elite, algo que ainda não conseguimos. Apontamos para estar entre os melhores sempre», concluiu João Pedrosa.

04 10

Ricardo Rocha: «Eles merecem estar nesta luta»

O apuramento para os Jogos Olímpicos é o grande horizonte do voleibol de praia nacional, com o Selecionador Nacional, Ricardo Rocha, a assumir a ambição: «O Pedrosa e o Campos merecem estar nesta luta. Tiveram uma evolução assinalável e temos de procurar a consistência de resultados.» Num processo longo onde «todas as competições e jogos serão encarados como finais», o técnico garante «empenho total no dia a dia» com o apoio da Federação e do Comité Olímpico.

 

A preparação tem exigido flexibilidade devido às mudanças no calendário da FIVB: «É impossível prever períodos de descanso. O foco imediato é a prova de dezembro no Brasil, procurar a entrada em janeiro e seguir etapa a etapa.» Com o adiamento da etapa do Dubai para janeiro, a agenda deste ano fica reduzida à etapa de nível Elite em Ipanema, no Brasil, em dezembro.

 

A dupla principal tem estagiado com parceiros estrangeiros. Além da Bélgica, «vamos ter três duplas alemãs a treinar connosco. A seguir viajamos para Espanha», revelou.

 

A vertente de formação e rendimento continua a crescer: «Já temos uma segunda dupla a treinar a tempo inteiro – o Luís Melo e o David Correia, que são Sub-20 –, o que representa mais um passo na evolução do projeto.» Sobre as seleções em treinos regulares, o técnico explicou: «Já tínhamos um grupo a trabalhar connosco (gerações de 2007 a 2009). Este ano começámos a observar os atletas nascidos em 2010 num regime híbrido.» O plano passa por captar jovens entre 2011 e 2013, com uma «semana aberta» no feminino pelo Natal. «A prioridade é construir uma base sólida. Queremos, gradualmente, mais duplas dedicadas exclusivamente ao voleibol de praia», concluiu.