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Mestre Antonio Sastre, um lutador contra a diferença e técnico de exemplo

O Mestre Antonio Sastre é uma figura de grande relevância no universo das artes marciais e da formação em defesa e segurança pessoal, destacando-se pela sua vasta experiência, dedicação e espírito de superação.

 

De nacionalidade argentina, com uma sólida carreira construída ao longo de décadas, o Mestre Sastre é 7º Dan em Taekwondo Olímpico (WT), licenciado em Taekwondo e Gestão Desportiva, e um reconhecido instrutor em técnicas defensivas aplicadas às forças de segurança. A sua formação alia o rigor técnico das artes marciais à prática operacional no terreno, resultado de anos de serviço e ensino em instituições de segurança pública.

 

Após uma carreira exemplar na Polícia Federal Argentina, onde se aposentou em 2013, continuou a sua missão como formador e treinador de diversas unidades, incluindo forças policiais, militares e grupos de elite. Atuou como instrutor e chefe de capacitação em organismos oficiais, contribuindo diretamente para a preparação de profissionais na área da segurança.

É Presidente Fundador da Associação de Artes Marciais Kionggido e lidera o Departamento de Defesa e Segurança Pessoal em Métodos Policiais Militares. Além disso, representa na Argentina diversas organizações internacionais de prestígio ligadas às artes marciais, segurança e proteção, mantendo uma forte ligação com entidades da Europa, Ásia e América Latina.

 

Ao longo da sua trajetória, foi também docente, formador de instrutores e organizador de cursos especializados, impactando centenas de alunos, profissionais de segurança e praticantes de artes marciais. O seu trabalho estende-se ainda à preparação de unidades táticas e grupos especiais, demonstrando um compromisso contínuo com a excelência e a evolução técnica.

Mais do que um mestre, Antonio Sastre é um exemplo de resiliência, liderança e dedicação, sendo reconhecido não apenas pelas suas conquistas profissionais, mas também pela sua capacidade de inspirar e transformar vidas através das artes marciais e da disciplina.

 

É ainda Presidente dos Boinas Brancas Oficiais de Paz na Argentina.

 

AMMA: O acidente em que perdeu a mão foi um momento decisivo na sua vida. O que passou pela sua mente nesse período inicial e como encontrou forças para seguir em frente?

Mestre Antonio Sastre: Agarrei-me sempre a Deus, à Família, Amigos e muitos Chefes que me apoiaram, para que eu pudesse superar-me Psicologicamente e me dessem a oportunidade de, através das artes marciais, tornar o meu trabalho eficiente para todas as forças de segurança.

AMMA: Afirma que nunca perguntou “por que a mim?”, mas sim pediu sabedoria para continuar. Como desenvolveu essa mentalidade tão forte?

AS: Nunca pensei culpar Deus pelo que me aconteceu. Acredito muito n'Ele, a quem peço sempre, antes de cada tarefa, que guie a minha mente para que tudo seja com êxito e excelência. E que seja de grande benefício para ajudar quem o mereça.

 

AMMA: Durante a recuperação, qual foi o maior desafio: o físico ou o emocional? E como conseguiu superá-lo?

AS: Sempre pedi a Deus que me desse força para superar os maus momentos que me motivaram viver. Pois não queria que a minha família, e superiores das forças para onde trabalho, me vissem depressivo. A superação veio após quase um ano, ao perceber que nada me impedia de continuar a praticar artes marciais. Trabalhar, conduzir, pedindo aos meus superiores que me dessem a oportunidade de demonstrar a todos que, com uma só mão, podia ser igualmente útil.

 

AMMA: A sua família, a fé e a comunidade tiveram um papel fundamental na sua recuperação. De que forma cada um desses pilares contribuiu para a sua força interior?

AS: A Família, fundamentalmente, eu não queria que sofressem por me verem mal. E foi assim que nunca me rendi perante nada, conseguindo destacar-me e mostrando que, para além dos problemas, há sempre uma solução; tudo está na mente de cada um.

AMMA: Como foi o processo de voltar a ensinar e treinar artes marciais após o acidente? Houve momentos em que pensou desistir?

AS: Nunca pensei, por aquilo que se passou, em deixar as artes marciais. Pelo contrário, dediquei-me mais, já que devia continuar para acompanhar os meus filhos que também são bons nas artes marciais, a tal ponto que os meus netos também praticam Taekwondo e são bons atletas hoje em dia.

 

AMMA: O Mestre trabalha com crianças e forças de segurança. Como adapta o seu ensino para públicos tão diferentes?

AS: Eu mostro as técnicas normalmente com um voluntário, esclarecendo que, embora para mim seja fácil com uma só mão e o poder do meu coto, eles devem utilizar as duas.

AMMA: O seu lema “o ‘não posso’ não existe” inspira muitas pessoas. Como transmite essa filosofia na prática do dia a dia?

AS: Quando digo "incentivando-os e motivando-os" (O não consigo não existe – tentar é melhor, pois só alcançarei o que me propuser), digo-o quando vejo que, ao dar uma ordem para fazer uma técnica, ficam a olhar e dizem-me que não conseguem. E aí ajo eu, fazendo a técnica com uma só mão, para que os motive e assim os ajude a saber que conseguem fazê-lo. E o bom é que o fazem.

AMMA: Ao longo da sua carreira internacional, qual foi o momento mais marcante onde sentiu que a sua história realmente transformou outras pessoas?

AS: Eu agradeço sempre a Deus pela minha superação. E àquelas pessoas que pensam que não conseguem fazer algo a que se propõem, digo-lhes que primeiro olhem para o Céu com fé e peçam a Deus que lhes dê a sabedoria para alcançar o objetivo desejado. E se não acontecer, não devem preocupar-se, pois outras coisas que virão serão melhores.

 

AMMA: Que mensagem deixaria para alguém que está a atravessar um momento difícil ou uma grande perda na vida?

AS: Eu sei que Deus nos dá uma vida de vantagem para que nós, inteligentemente, saibamos como a queremos viver. E aconselho que todos os dias tentem diferentes situações que ambicionam, para que se deem conta do que cada um merece. E se aceitarem o que lhes toca, nunca cairão num poço depressivo.

 

AMMA: Olhando para a sua trajetória, que legado gostaria de deixar nas artes marciais e na formação humana das próximas gerações?

AS: Sei que todas as artes marciais são importantes. Mas para que sejam de excelência, tudo depende de como cada professor as transmite aos seus alunos. Transmitindo-lhes o entusiasmo de se quererem a si próprios, cuidando e trabalhando o seu corpo para uma vida saudável, sentindo-se felizes para chegar a uma velhice sem contratempos.

 

Texto: Vitor Gomes

Fotos: Cedidas por Mestre Antonio Sastre

 

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quinta-feira, 2 de abril de 2026

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