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Maria Luís Gameiro fecha etapa maratona em alta e reencontra a orgulhosa equipa X-raid em Hail

  • - Maria Luís Gameiro completou a segunda metade da maratona (Etapa 5) e chegou a Hail com mais um resultado positivo, reforçando a consistência na sua segunda participação no Dakar.
  • - A dupla Maria Luís / Rosa Romero voltou a evitar problemas mecânicos, e chegou ao bivouac com o MINI JCW T1+ em perfeito estado, recebendo o aplauso emocionado da equipa X-raid.

- Apesar de ainda sentir os efeitos do acidente com o camião dias antes e das muitas horas a rolar no pó, Maria mantém o foco no grande objetivo: chegar ao final de um Dakar que se confirma duríssimo.

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A Etapa 5 do Dakar 2026 marcou o final da primeira maratona desta edição e terminou com sabor muito especial para Maria Luís Gameiro e Rosa Romero. Depois de dois dias consecutivos sem assistência externa, a piloto portuguesa chegou ao bivouac de Hail com mais um resultado positivo (43.º tempo da etapa) consolidando um Dakar construído com inteligência, resiliência e muita disciplina de gestão. Mais do que a recuperação em termos desportivos, que permitiu saltar do 40.º para o 37.º posto, o ponto central do dia foi simples e decisivo: chegar ao fim da maratona sem problemas mecânicos e com o MINI JCW T1+ em pleno estado de saúde.

À chegada à zona de assistência, Maria e Rosa Romero foram recebidas com palmas, sorrisos e um visível orgulho por parte de toda a estrutura da X-raid. A equipa celebrou não apenas o facto de a dupla ter completado dois dias sem apoio direto, mas também a forma como todo o trabalho de preparação – mecânica, logística e de formação – se refletiu numa maratona impecável. Para Maria, o reencontro com os mecânicos teve um peso emocional evidente: era a confirmação de que o plano funcionou, que todos estiveram à altura do desafio e que a relação de confiança com a equipa está mais forte do que nunca.

 

Do ponto de vista desportivo, o resultado da etapa surge ainda marcado pelas consequências de um episódio que teima em influenciar os dias seguintes: o acidente com um camião nas etapas anteriores. Essa situação obrigou a dupla a partir muito atrás, permanentemente envolvida em pó, regos fundos e piso muito degradado, a lutar mais contra as condições e o trânsito do que propriamente contra o cronómetro. Mesmo assim, Maria voltou a recuperar posições, mostrando que, em condições mais limpas, teria ritmo para estar noutro patamar da classificação.

 

A gestão do pó continua a ser o maior obstáculo: longos troços com visibilidade muito reduzida obrigam a uma condução ultra cautelosa, com impacto direto no andamento e na fadiga. Ainda assim, o balanço da maratona é extremamente positivo: duas etapas cumpridas sem avarias, sem furos e com apenas pequenas intervenções feitas pela própria dupla, como a troca preventiva de uma roda com um pequeno “lenho” na borracha lateral e o reabastecimento do depósito de água do lava-vidros.

 

O sentimento à chegada a Hail era claro: há a consciência de que o resultado poderia ser melhor não fosse o incidente com o camião, mas também a noção de que a classificação não é, para já, o foco principal. A prioridade de Maria é cada vez mais nítida: fazer tudo o que estiver ao seu alcance para chegar ao final deste Dakar, sabendo que, numa edição tão dura, quem conseguir ver a meta terá inevitavelmente um lugar interessante na classificação

 

Declarações de Maria Luís Gameiro

 

Depois de dois dias duros, mas que significaram a subida do 51.º lugar para o 37.º, o sentimento de orgulho e satisfação eram indisfarçáveis no final desta etapa maratona:

" Que felicidade! Estamos obviamente muito contentes por ter chegado hoje ao bivouac. Recuperámos mais lugares, mas isso não era o mais importante. O mais importante era mesmo chegar aqui. Como cereja no topo do bolo, ao cabo de duas etapas sem um problema mecânico, tinha a equipa de assistência à minha espera, de sorriso nos lábios, a bater palmas quando chegámos. Todos estavam super contentes e orgulhosos do trabalho feito na preparação destas duas etapas sem assistência. Eles também merecem o crédito de as coisas estarem a correr como estão. Podíamos estar a andar bastante mais à vontade, muito menos stressadas, se não fosse aquele incidente com o camião que nos fez largar estes dias sempre muito atrás, sempre no pó, com os troços já muito danificados. Mas esta etapa maratona correu na perfeição! Ontem, para além de, por cautela, termos trocado uma roda por precaução, só tivemos de encher o depósito de água do lava-vidros. Foram as únicas coisas que tivemos de fazer naquela assistência. Isso deu-nos também a possibilidade de descansar um bocadinho mais depois de uma etapa muito dura e longa.

Sabemos que, em termos de resultado, podíamos estar a fazer melhor, mas ainda há muito Dakar pela frente. Estou cada vez mais focada em fazer tudo o que me permita chegar ao final. Sei que chegar ao final será seguramente uma vitória para nós e, paralelamente, trará também um bom lugar, porque a prova está a ser duríssima. Confesso que já estou um bocadinho desejosa que chegue a etapa de descanso para me recuperar fisicamente. Tem sido, de facto, muito duro, mas, ao mesmo tempo, muito compensador.”

 

Etapa 6 – o gigante do Dakar 2026

Amanhã, 9 de janeiro, Maria e a equipa X-raid enfrentam aquilo que muitos já descrevem como o gigante deste Dakar 2026. A Etapa 6 será o dia mais longo da prova em quilometragem total, com cerca de 920 quilómetros de percurso, dos quais aproximadamente 331 serão cronometrados. Dunas imponentes, longos corredores de areia, fadiga e exigência máxima estão no menu de um dia que promete testar todos os limites – mecânicos, físicos e mentais.

 

Antes do arranque desta etapa, há, contudo, um momento essencial: o reencontro pleno com os mecânicos em Hail e a possibilidade de reparar tudo o que possa ter sofrido nas duas etapas de maratona. Será uma noite curta, mas em que cada minuto conta para recuperar energia e deixar o MINI JCW T1+ preparado para aquele que se assume como o grande teste da primeira metade do Dakar.

 

Num cenário de tão grande exigência, a palavra de ordem volta a ser gestão: gerir o carro nas dunas, gerir o corpo ao longo de um dia longo, gerir a cabeça quando a fadiga começar a distorcer decisões. A semana está longe de terminar, e a Etapa 6 pode ser tão decisiva quanto brutal, mesmo com o tão aguardado dia de descanso em Riade já à espreita.

 

Periodicidade Semestral

domingo, 11 de janeiro de 2026 – 13:59:56

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