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As bicicletas elétricas são cada vez mais encaradas como uma alternativa amiga do ambiente e low-cost em relação aos carros, além de permitirem a superação das bicicletas tradicionais no percurso de distâncias maiores. No entanto, até ao momento, a adoção deste novo veículo de transporte apenas se tem imposto nos países ricos da Europa, onde as cidades dispõem já das infraestruturas necessárias. Qual é então o potencial da mobilidade suave para Portugal, sendo que o país dispõe hoje de um conjunto de competências bastante relevante na produção de componentes e na montagem de bicicletas e motociclos elétricos? De salientar que só a indústria tradicional das bicicletas exporta 200 milhões de euros, com valor acrescentado ao nível dos 60 por cento, o que significa que essa percentagem de retorno fica em Portugal.
Em parceria com o Polo de Competitividade e Tecnologia das Indústrias da Mobilidade – Portugal Mobi 2015, a ABIMOTA – Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas, Ferragens, Mobiliário e Afins pretende promover a mobilidade suave em Portugal e, é neste contexto que organiza o Congresso Internacional de Promoção da Mobilidade Suave, que se realiza na próxima quinta-feira, dia 21 de novembro, com início às 9h30 (ver programa, em anexo), na Alfândega do Porto. Este evento visa ainda contribuir para“potenciar as competências noutros clusters, exportáveis, como das tecnologias de informação, mobilidade elétrica e novos materiais, os quais se podem associar em novos produtos e soluções para o setor da mobilidade suave, acrescentando valor e abrindo novos mercados”, como adianta João Pires, presidente da ABIMOTA .
Posicionar o cluster da mobilidade entre os mais competitivos do mundo e promover Portugal enquanto plataforma especializada de competências ao longo de toda a cadeia da mobilidade são dois dos objetivos deste projeto, em que se insere o congresso, o qual reuniráespecialistas em planeamento do território – que procurarão responder a questões como“De que forma as nossas cidades estão preparadas ou como poderão preparar-se para adotar a mobilidade suave em crescimento na Europa?” e“Quais os principais desafios para as autarquias?” –,empreendedores com empresas e projetos na área da tecnologia para a mobilidade – uma área de negócio em crescimento –,e responsáveis das empresas de produção de componentes e na montagem de bicicletas e motociclos elétricos, que debaterão o estado atual e o futuro da indústria.
De salientar as participações de Randy Neufeld, SRAM Cycling Fund Diretor – um fundo que apoia a promoção de infraestruturas para a adoção da bicicleta na Europa e nos Estados Unidos –,e de Jack Oortwijn, editor-chefe da Bike Europe, a publicação líder para os profissionais de bicicletas em todo o mundo.
MOBILIDADE ELÉTRICA EM CRESCIMENTO
Em 2010, as vendas de bicicletas elétricas na Europa atingiram 1 milhão de unidades, prevendo-se que este número chegue aos 3 milhões em 2015. Em 2012 as vendas de e-bikes só na Alemanha totalizaram 380.000 unidades. “Portugal investiu alguns milhões na mobilidade elétrica auto, infraestruturas de carregamento, sistemas de controlo, Mobi.e, entre outros. Esse investimento criou competências em algumas empresas que estão, no entanto, subaproveitadas, já que o setor que mais cresce atualmente é os Ligth Eletric Veicules – LEV – bicicletas e “pedelec”, “scoter” elétricos – e não a mobilidade elétrica auto”, explica João Pires, presidente da ABIMOTA.
Segundo a Bike Europe, a crise económica e o constante aumento do preço dos combustíveis, associados a novas e melhores infraestruturas (ciclovias), têm contribuído para um aumento de vendas de e-bikes e bicicletas de cidade em Portugal. Noentanto, as bicicletas elétricas são ainda vistas no nosso país como um bem de luxo e não como uma alternativa viável ao uso do automóvel.
Para que a mobilidade elétrica seja então cada vez mais uma realidade no nosso país, com óbvias vantagens ambientais, económicas e para a saúde, terá de haver uma adaptação do território para a adoção das infraestruturas requeridas. Anabela Ribeiro, docente no Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra, com vários trabalhos sobre a mobilidade urbana; Isabel Seabra, do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, que tem um vasto currículo nesta área, tendo sido membro de vários grupos de trabalho ministeriais do setor dos Transportes e interministeriais para acompanhamento de estudos, consultoria, negociação e decisão sobre o quadro organizativo e legislativo do transporte metropolitano e sobre planeamento, projetos/concursos públicos de implementação de novos modos de transporte, conceção e execução de interfaces e outras infraestruturas de transportes, reestruturação de redes de transporte, informação e marketing nos transportes; e Paula Teles, docente e gerente da m.pt®, uma empresa de planeamento e gestão da mobilidade, são as oradoras no painel dedicado ao Território do Congresso Internacional de Promoção da Mobilidade Suave.
BIKEEMOTION E MAGUM CAP NA VANGUARDA DA TECNOLOGIA EM MOBILIDADE
No painel dedicado à Tecnologia, assumirão o protagonismo dois projetos completamente inovadores na área da tecnologia para a promoção da mobilidade elétrica. “Cycling Visionaires Awards - Urban Planning and Urban Design” (Voting Prize), no Velo-City 2013, e o “The Best Case Study - Example of Cloud Services for the Public Sector and Citizenship”, pela EuroCloud Portugal, são dois dos prémios conquistados pelo projeto BikeEmotion, que está ainda entre os 20 finalistas do prémio “1 of the 5 finalists, in Smart Citeis”,da Building Global Innovators, e foi o candidato português na final mundial do concurso “the best e-Content example in e-Culture & Tourism from Portugal”.
A BikeEmotion visa a disponibilização de um sistema de partilha aberta de bicicletas com uma maneira fácil de bloquear/desbloquear e acompanhar as mesmas, não necessitando de docas ou outras infraestruturas de estacionamento, pelo que as pessoas que as usam podem deixá-las onde quiserem. A tecnologia usada para localizar e reservar o veículo e de pagamento pela sua utilização é muito fácil, bastando a instalação de um aplicativo móvel ou aceder ao site. Rui Lopes, representante da BikeEmotion, marcará presença no congresso.
A MAGNUM CAP – que, na conferência, se fará representar pelo seu CEO, José Henriques –, é, por sua vez, uma empresa que se dedica ao desenvolvimento de equipamentos eletrónicos e soluções para a gestão energética, controlo e distribuição, estando atualmente muito focada na construção de sistemas de carregamento de veículos elétricos, sistemas de armazenagem de energia e integração de soluções renováveis e sustentáveis.
Ainda no quadro da Tecnologia, a conferência conta com a participação de José Martinho Oliveira, diretor da Escola Superior de Design, Gestão e Tecnologia de Produção Aveiro-Norte.
No terceiro e último painel, Luís Fonseca, consultor que representa a Orbita; Pedro Nunes, Operations Diretor da Prio.e e Pedro Gonçalves, diretor-geral da Rodi, falarão sobre os desafios que a mobilidade suave está a trazer à indústria, a forma como esta está a responder e o futuro deste setor em Portugal, o qual atravessou um período de crise, tendo sabido reinventar-se para responder ao crescimento dos veículos elétricos.
