15 anos ao serviço do Desporto em Portugal

Rosário Sottomayor e a sua carreira de piloto

 

 

Rosário Sottomayor é uma piloto de automobilismo multidisciplinar participando em várias categorias.

 

Começa a correr em 1986 na prova nas “3 Horas de Resistência do Estoril” ficando na 16ª posição, contudo no ano seguinte já no Campeonato Nacional de Fórmula Ford fica em 4º lugar da classe, 11º geral.

 

Continua a sua progressão conquistando em 1990 o 1º lugar na classe, 6º geral e em 1993 o título absoluto de Campeã Nacional de Formula Ford 1600.

 

Embora os Fórmulas sejam a sua paixão e onde investiu mais tempo e dedicação, passou pelo Campeonato Nacional de Velocidade, FEUP, AXA Golden Cup, Campeonato Nacional de Rali e provas de resistência de clássicos.

Integrou competições femininas como o AXA Ladies Cup. Em ralis também participou no “Ladies Rally Thophy”.

 

Classificações gerais:

 

. Vitorias: 18

. Poles Positions: 10

. Voltas + Rápidas: 12

. 2º Lugares: 32

. 3ª lugares: 9

 

A sua paixão pelas quatro rodas começou muito cedo, nas suas brincadeiras de criança com o irmão nos carrinhos de rolamentos ainda com dois anos de idade. Passados seis meses já andava de bicicleta, experimentou pela primeira vez uma mota aos quatro anos, e começou a guiar um automóvel sozinha aos sete.

 

A garra, a emoção e o fazer subir a adrenalina surge aos 11 anos com uma manobra numa curva com duas rodas no ar. Esta manobra não foi do agrado do seu irmão, pois tinha sido sempre ele o seu mentor.

 

No desporto motorizado, assiste pela primeira vez ao vivo no Circuito do Estoril a uma prova de Fórmula 2 que a determinou a desbravar os caminhos até chegar às pistas, embora desde muito pequena manifestasse querer ser piloto de Fórmula 1.

 

Em 1982 entrou para comissária de pista na ACDME (Associação de Comissários de Desporto Motorizado do Estoril).

 

 

Pouco depois começa a sua aventura na pista, com o curso de pilotagem de Fórmula Ford da “Brands Hatch Racing School” no Estoril, tendo tido a 5ª melhor classificação entre os cerca de 800 alunos.

 

AMMA: Desde pequena sempre gostou de rodas, motores e adrenalina. Para além da curva “artística” já mencionada, tem alguns outros episódios engraçados que a tenham marcado?

 

Rosário Sottomayor: Bem, a minha vida sempre foi marcada pela aventura e paixão por corridas. Desde que me lembro de existir fazia corridas com tudo o que tivesse rodas, desde triciclos as bicicletas, passava por tudo… mas de facto o que mais me marcou foram as corridas com carrinhos de rolamentos, onde fazíamos autênticos campeonatos patrocinados pelos nossos irmãos mais velhos. Escusado será dizer que eu era a única menina no meio…  (risos)

 

AMMA: Era fácil na sua altura sendo uma menina e mesmo adolescente lidar com essa paixão num mundo dominado maioritariamente por rapazes? O que diziam os seus amigos e suas amigas?

 

RS: Quando era pequena nunca tive bem essa noção, eu praticamente só brincava com rapazes e queria ser sempre a melhor de todos, nunca tive paciência para brincar com bonecas. Acho que os rapazes me viam como “um igual” e as raparigas como uma “maria rapaz”.

Conforme fui crescendo, então fui sentido algum gozo por parte dos outros miúdos pelo facto de eu ser “vidrada” nas provas de automóveis, mas nunca dei qualquer importância a isso.

 

AMMA: Após a corrida de Fórmula 2 que assistiu no Circuito do Estoril que foi determinante para tomar a decisão de querer correr, qual foi a reacção da sua família quando lhes disse isso?

 

RS: Apesar de já estarem habituados desde muito pequenina a me ouvirem dizer que queria ser piloto, acho que só depois desta experiência me começaram a levar a sério e então a ficar um pouco preocupados.

 

AMMA: Ser comissária da ACDME de alguma forma alavancou o seu processo de aprendizagem e de ir para a pista?

 

RS: Fui para comissário porque era a única forma de estar mais perto da competição, pois não tinha nem família nem amigos ligados ao meio. Foi sem duvida um passo muito importante, mas na realidade foi a minha prestação num minicurso de meio-dia de Formula Ford dado pela Brands Hatch Racing School, que acabou por me abrir as portas.

 

 

AMMA: Ter passado por comissária da ACDME deu-lhe uma visão diferente sobre o trabalho que os comissários têm enquanto está a competir na pista?

 

RS: Completamente, infelizmente a quase totalidade das pessoas e grande parte dos pilotos não têm noção da importância dos comissários, sejam eles quais forem.

Não só quando estou em pista, tenho o maior respeito por eles e pelo trabalho que desempenham, pelos riscos que correm e pelos sacrifícios que fazem, muitas vezes de forma gratuita.

 

AMMA: No curso de pilotagem ter sido a quinta melhor em 800 alunos, encheu-a de vontade de arranjar um carro e correr, contudo ainda lhe faltava a licença. Como decorreu esse processo?

 

RS:A escola inglesa veio cá para promover Formula Ford que iria começar no final desse ano em Portugal, mas fazendo também parte dessa mesma promoção, estavam agendados cursos organizados pela Autodril e pela Ford e cuja licença era atribuída aos melhores classificados.

Na altura para se poder correr na F. Ford, era necessário ter 1 ano de carta e 2 anos de provas de iniciados, mas ao conseguir a licença num destes cursos, este processo era ultrapassado.

Para mim era a única hipótese porque não reunia as condições e foi através dum desses cursos que consegui a licença.

 

AMMA: A sua estreia foi logo numa prova de resistência nas “3 Horas do Estoril” com um Alfa Romeo GTV6, sendo o seu o melhor tempo na equipa. Como correu essa prova?

 

RS: Foi uma prova fantástica. O Alberto Veloso teve a gentileza de fazer equipa comigo no seu Alfa GTV6 e como era uma prova de resistência permitia rodarmos muito, foi óptimo para a minha aprendizagem. Adaptei-me muito bem ao carro e como a vontade de fazer tudo bem e depressa era muita, acabei por conseguir o melhor tempo.

 

 

AMMA: Ainda em 1986 consegue fazer a sua primeira prova de Fórmula Ford. Consegue um 11º lugar, excelente para uma estreia. Qual foi o contributo que o Pêquêpê lhe deu nessa corrida?

 

RS: Sim, fiz a última prova do campeonato com um carro da escola de pilotagem. A ajuda do Pêquêpê foi absolutamente crucial na afinação básica do carro, porque estes carros não estavam preparados para correr e sim para as aulas, onde a velocidade e performances não eram importantes.

Como carros sensíveis que são, o mais pequeno detalhe faz toda a diferença e para mim numa prova de estreia, sem saber nada de afinações e num carro que não fazia provas, o 11º lugar onde deixei muitos outros pilotos bons atrás, soube-me a vitória.

 

AMMA: Em 1987 entra finalmente no campeonato de Fórmula Ford com um Van-Diemen RF-85. Correu bem esse campeonato de estreia?

 

RS: Sim e não. Sim porque vinha do zero, eu ao contrario da maioria dos outros pilotos nunca fiz karts e nem tinha ninguém com conhecimentos a apoiar-me, pelo que estava a aprender tudo por conta própria e à conta de alguns erros. O meu irmão também era novato no meio e estava a aprender tal como eu, por isso contávamos apenas com as dicas dadas pelos outros pilotos e equipas. Apesar disso evoluímos imenso durante esse ano.

Não, porque o carro tinha graves problemas a diversos níveis e o chassis um empeno considerável, situação que só foi diagnosticada no final da época, quando já era tarde demais e por isso os resultados nunca tinham surgido.

 

AMMA: Numa altura teve que se dedicar à manutenção do seu carro, incluindo o motor. Já tinha conhecimentos de mecânica para fazer as tarefas principalmente o desmontar o motor e montar tudo de novo ou ainda teve muito que aprender?

 

RS: Eu estou sempre a aprender, mas na altura foi para mim um passo de gigante que me vi obrigada a dar. Eu acompanhava e ajudava o meu irmão na manutenção do carro e do motor, mas nunca tinha mexido directamente. Naquele ano ele aborreceu-se comigo e recusou-se a dar-me apoio e de repente vi-me a braços com um motor gripado a precisar ser reparado entre muitas outras coisas. Como também tinha ficado sem patrocínio e não tinha dinheiro para mandar fazer as reparações, ficar parada estava fora de questão, então resolvi “arregaçar as mangas” e pôr em prática o que sabia de teoria.

Desmontei o motor todo e cataloguei as peças para não haver enganos, reparei, montei, pintei o carro, alinhei-o todo (com varias peripécias pelo meio) e fui para aquela que terá sido a melhor prova da minha vida.

A partir deste momento, não só fiquei ciente de que os meus conhecimentos eram suficientes para preparar os motores com qualidade, como optei por passar a ser sempre eu a faze-lo daí para a frente.

 

AMMA: Esta iniciativa teve a ver com a falta de apoios e patrocínios? Esse continua a ser um dos maiores problemas para os pilotos em Portugal?

 

RS: Sim sem dúvida, caso contrario teria mandado reparar o motor e o carro a alguém.

Os patrocínios são absolutamente indispensáveis e quando não se tem os conhecimentos nos sítios certos ou um “bolso” bem recheado é totalmente impossível correr com objectivos de vitoria.

A falta de apoios tem sido o meu maior problema ao longo do tempo e a razão pela qual tenho estado tantos anos parada ou fazer apenas uma única prova por ano.

 

AMMA: Como foi a sua participação no estrangeiro para além da Fórmula Ford?

 

RS: Além da F. Ford, só fiz uma prova de AX em Espanha, em Barcelona.

 

AMMA: 1991 foi um ano de inovações, além de ter um novo carro, fez a convite de Luís Moutinho também o Troféu AX GTI. Como correu essa aventura de participar em dois campeonatos diferentes na mesma época?

 

RS: Correu muito bem apesar da adaptação ao AX não ter sido fácil. Na F. Ford estive até ao fim do ano a discutir o 3º lugar no Campeonato. No trofeu AX foi difícil por dois motivos, primeiro porque era um carro de tracção à frente e como tal o comportamento e forma de guiar era diferente e tive que me adaptar, depois porque os troféus são complicados em termos de toques e eu não estava habituada, mas correu muito bem e fiz o ano quase todo no top 5 o que foi uma surpresa para todos.

 

AMMA: O ano de 1993 foi difícil, com muitos contratempos com os apoios, a mecânica do carro, embora na pista lhe tenha corrido bem até à ida ao “Formula Ford Festival”, oferta da Mobil (patrocinadora oficial do Campeonato) aos vencedores das categorias 1.6 e 1.8. Esta ida ao evento não a trouxe de volta no melhor estado. O que se passou?

 

RS:Não, de facto foi uma “factura” muito cara a que tive que pagar…

 

Fazer o “Formula Ford Festival” era na época o sonho de qualquer piloto, pois era lá que se reuniam os candidatos e campeões de todo o mundo e de certa forma uma “janela” para uma carreira internacional. O programa oficial começava na 5ª, mas como não conhecia a pista comprei um treino particular na 4ª feira para rodar e ambientar-me. Logo no inicio do treino há um piloto que me dá um toque por trás em plena recta da meta, fazendo-me perder o controlo do carro e indo embater de frente na saída das boxes. O impacto foi de tal forma violento que o carro foi projectado de novo para a pista sendo abalroado por mais dois.

 

O resultado foi a destruição completa do carro inclusive motor, um traumatismo craniano grave e muitas lesões a nível de coluna, clavícula e ombro.

 

Sobrou apenas o volante, que ainda hoje guardo para recordação.

 

AMMA: Para não fazer um interregno total enquanto recuperou das lesões ainda correu em Karting. Foi por lazer ou por competição?

 

RS: Foi por prazer, até porque foi sempre em karts de aluguer a 4 tempos, mas a verdade é que cada vez que coloco o capacete o “chip” da competição é ligado automaticamente e guio sempre no modo “limite” e para ganhar… (risos)

 

AMMA: O AXA Ladies Cup em 1999 vem dar voz à generalidade das provas femininas no automobilismo nacional. Participou dois anos seguidos nela. Que curiosidades tem dessas competições?

 

RS: Foi uma iniciativa fabulosa do João Anjos, mas que infelizmente só teve duas provas em Vila do Conde.

 

Foi a primeira vez que uma prova só tinha mulheres na grelha de partida e podiam lutar em igualdade de circunstancias já que os carros eram todos iguais. Havia pilotos das mais diversas categorias, mas que de um modo geral não competiam directamente umas com as outras.

 

Eu diverti-me imenso e ganhei ambas as provas, mas foram lutas muito intensas e renhidas até ao fim, sempre pé cravado em baixo!

 

Julgo que terá sido uma enorme surpresa para muita gente ver tanta competitividade e animação em pista.

 

AMMA: Em 2002 chega a Vice-campeã no Campeonato Nacional de Velocidade. A sua segunda melhor classificação da sua carreira. Como correu essa época? Que pontos altos lhe ficaram na memória? Foi uma grande luta?

 

RS: Foi um ano que me deixou uma grande magoa. O convite foi-me feito cerca de um ano antes e obviamente fiquei a “vibrar” com a ideia, mas adoeci gravemente e tive ainda que fazer uma grande cirurgia à coluna com largos meses de recuperação pela frente. No inicio do campeonato já estava em condições, mas fui substituída para a 1ª prova sem ser avisada, o que me magoou imenso depois do esforço que tinha feito.

 

Nas provas seguintes fui com “a faca nos dentes” e acabei por passar para a frente, mas desde falta de gasolina a fazer uma prova à chuva de slicks, aconteceu de tudo. Mesmo assim ainda tinha hipóteses de ganhar o campeonato, mas… não me inscreveram para uma das ultimas provas e perdi todas as possibilidade, pelo que tive que me contentar com o 2º lugar. Foi por isso um Vice-campeonato com sabor “amargo”…

 

AMMA: Teve mais um interregno na competição só retomando em 2007 com o Desafio Único FEUP. O que a levou estar tanto tempo fora das pistas? Desmotivação, falta de tempo?...

 

RS: Sim, foram 5 anos de ausência total não só das pistas como do meio desportivo. A única razão foi a falta de apoios que não me permitiram participar em nenhum projecto, por pequeno que fosse.

A minha ausência do meio desportivo, teve a ver com as atitudes vergonhosas de alguns responsáveis durante a minha participação no CNV de 2002.

 

AMMA: Neste campeonato FEUP ao volante de um Fiat Uno 45S em equipa com a Ana Sampaio, ficaram em primeiro lugar no Troféu Feminino, e 5º da geral. Ao todo eram 40 equipas em pista. Como foi trabalhar com a Ana neste projecto? Quem se adaptou a quem?

 

RS:Foi giríssimo, nós já nos conhecíamos das provas de karts onde ela era presença constante e na realidade foi ela que me convidou para fazer equipa, pois queria iniciar-se nos automóveis e achava que eu seria a parceira ideal. Ela adaptou-se muito bem, eramos muito regulares e rápidas e tivemos parte do ano em 3º lugar da geral, o que foi fantástico tendo em conta os treinos e investimentos de algumas outras equipas.

 

AMMA: Das várias provas por onde passaram neste campeonato, havia na altura alguma diferença na postura da condução entre homens e mulheres ou era somente um preconceito?

 

RS: Nunca notei alguma diferença com os pilotos/as com quem fiz equipa. Havia sim e continua a haver, preconceito por parte de alguns pilotos relativamente a ficarem atrás de uma mulher.

 

Praticamente só fiz o trofeu FEUP com equipas femininas, havia muitos pilotos em que o único objectivo era ficarem à nossa frente, independentemente do lugar geral, acho que isto diz tudo…

 

AMMA: Dessas provas quais a marcaram mais?

 

RS: Houve algumas situações, mas talvez aquela que recorde com maior satisfação, seja uma recuperação de 17 lugares feita à chuva, na prova do GP da Boavista. Foi uma prova completamente louca.

 

AMMA: 40 carros em pista embora seja uma prova competitiva, é muito desgastante para os pilotos em termos de concentração no trabalho que estão a desempenhar?

 

RS:É muito relativo, para nós a prova resume-se ao número de carros com os quais estamos em luta directa, independentemente do tamanho da grelha. A questão é que com muitos carros em pista as probabilidades de haver acidentes e diferenças de andamentos é muito maior.

 

Neste troféu, o grande gozo é que os andamentos eram de um modo geral muito parecidos e como os carros andavam pouco, tínhamos que andar sempre no limite, não se podia facilitar nada, pois era vulgar andarmos 3 ou 4 lado a lado e quem levantasse o pé mais cedo era logo passado por todos.

 

A seguir à F. Ford foi das provas mais competitivas que fiz.

 

AMMA: O Troféu Ford Transit bate-lhe à porta em 2010 através do Artur Lemos, em Braga. Como foi competir numa carrinha Ford Transit, nesta pista? Elas também levantavam as rodas nas curvas, lembrou-se alguma vez do episódio daquela “curva artística” aos 11 anos com o seu irmão?

 

RS: Talvez, pelo menos o aperto no estomago foi semelhante… (risos)

 

Foi uma pena, logo à 2ª volta e quando ia à frente um outro piloto deu-me um toque no inicio da curva no final da recta da meta, não sei o que as rodas levantaram, mas tive a sensação de ir capotar, felizmente nada aconteceu, mas atrasei-me irremediavelmente.

 

Apenas fiz uma única prova com a carrinha dos convidados, mas adorei e fiquei altamente surpresa com o comportamento dela, tirando a altura ao solo, era muito semelhante a um carro normal.

 

AMMA: No GP Boavista de 2011 participou na prova dos Old Timers / Corrida dos Campeões. Segundo consta, foi das suas mais divertidas provas, em que os participantes eram grandes pilotos a mostrar a sua boa performance. Contudo houve problemas com o carro. Fora estes problemas mecânicos, o que fez com que esta competição se tornasse uma das suas mais divertidas?

 

RS: Tive problemas que me condicionaram os treinos, por isso a prova teve que ser de recuperação e foi nessas lutas, especialmente com o Rui Lages e o Rufino Fontes que me diverti imenso. Foi uma corrida em que ficou mais do que provado que a idade não tem qualquer influência quando o sangue continua a fervilhar de adrenalina.

 

Depois quando vi a prova na TV é que me apercebi das fantásticas lutas que houve ao longo de toda a grelha, mas especialmente entre os 4 primeiros, absolutamente impropria para cardíacos.

 

AMMA: Os Sport Protótipos também passaram pelas suas mãos em 2013, com um Radical SR3 em dupla com a piloto Margarida Barbosa. Foi uma experiência diferente em protótipos e fez somente uma etapa. O que achou da condução deste tipo de carro comparativamente ao seu apaixonado Fórmula Ford?

 

RS: Gostei muito, embora não tenha podido apreciar na totalidade porque fiquei mal sentada e estes carros não perdoam. Se a posição de condução não for a ideal, não conseguimos sentir o carro e tirar dele todo o potencial, exigindo um esforço de braços enorme e tornando-se demasiado cansativo. Como apenas fiz uma única prova nem tive tempo para me adaptar, mas deu para perceber que é mais fácil de guiar que um Formula Ford, tem um comportamento mais “soft”, não sendo tão “nervoso” e brusco.

 

AMMA: Os ralis passaram pela sua carreira em 2015 tendo a Ana Santos Martins como navegadora, no “Ladies Rally Thophy”. Este um troféu foi integrado em algumas provas do Campeonato Nacional de Ralis. Tiveram uma prova nos Açores (Ilha Terceira). Como foi passar da velocidade para o rali? Que curiosidades tem desta experiência? O que lhe ficou de aprendizagem numa disciplina nova para si?

 

RS: Foi algo difícil por diversos motivos, primeiro porque é uma condução e um ambiente completamente diferente daquilo que estava habituada, depois porque a nossa participação não era puramente competitiva e tinha uma vertente terapêutica muito importante. Mesmo assim e inesperadamente os resultados começaram logo a surgir.

 

A primeira prova foi feita nos Açores e só lá consegui ter contacto com o carro, um velhinho Skoda Fabia 1.9 Tdi que deixava uma nuvem de fumo preto no ar à nossa passagem e muita gente a tossir… (risos)

 

Por não estar habituada, o facto de ter alguém ao meu lado a falar era para mim um motivo de desconcentração, o carro quase não travava, abrandava ligeiramente e os “calafrios” somavam-se à entrada de cada curva porque por habito travo muito tarde (típico da velocidade), de forma que o primeiro contacto não foi de todo fácil.

 

Com o passar dos quilómetros fui-me adaptando, fomos sempre melhorando enquanto equipa e apesar dos ralis no continente serem muito exigentes e longos, terminámos quase sempre em 2º lugar, o que foi fantástico tendo em conta não só a experiência e carros das outras equipas, mas especialmente o material que nós tínhamos nas mãos.

 

Foi uma experiência onde aprendemos muito ao longo do ano e se não tivéssemos errado tanto na escolha do carro e da assistência, temos a certeza de que os resultados teriam sido ainda melhores.

 

 

AMMA: O seu regresso às pistas com  o Fórmula Ford / Single Seater Series em 2017 foi o começar de uma nova era para a sua carreira de piloto. Até agora tem somado pontos e consagrou-se campeã em 2020 em Single Seater Series, classe PT (Tuga). Como foi esse regresso e como foi a sua evolução na classe até agora?

 

RS:Apesar de querer muito, acabou por acontecer da forma que menos esperava.

 

Através dum amigo comum conheci o Roy (Eng. Rui Pinto Basto), que já há alguns anos tinha construído um fórmula totalmente idealizado e desenhado por ele e que apenas tinha feito algumas rampas, mas gostava de o pôr a fazer circuitos.

 

 

Imediatamente me apaixonei pela historia deste carro e aceitei com todo o prazer tentar desenvolve-lo para a velocidade.

 

Foi um caminho difícil, com muitos imprevistos e algumas desilusões, onde nunca conseguimos as condições para fazer um trabalho consistente, mas que finalmente e ultrapassados os problemas principais, em 2020 conseguimos atingir os nossos objetivos e provar que é um carro competitivo.

 

 

AMMA: Alternadamente com a Fórmula Ford, tem tido outros desafios no desporto automóvel, como a Rampa do Caramulo onde conquistou o 1º lugar do pódium em 2019, as provas de resistência de clássicos fazendo equipa com o Luís Santa Bárbara no seu Datsun 1200. Isto vai completando-a como piloto variando um pouco do seu Fórmula Ford, ou não é capaz de todo de recusar um desafio que lhe é proposto?

 

RS: Guiar é o que mais gosto de fazer na vida, principalmente se for em competição, por isso nunca viro a cara a um desafio seja ele com que carro for.

 

Acho que experimentar coisas diferentes também nos completa enquanto pilotos, pois temos que nos adaptarmos ao carro e cada um tem a sua especificidade, obrigando-nos a estar sempre a aprender algo de novo e isso é muito desafiante, tenha o carro muitos ou poucos cavalos.

 

A Rampa no Caramulo Motorfestival, surge porque é uma prova que normalmente o “Apis” está presente e já a subiu com diversos pilotos. Estando eu a fazer o campeonato com ele, fazia todo o sentido estar lá também e foi para mim uma enorme satisfação a vitoria em 2019, porque foi a primeira vez que o “Apis” ganhou uma prova, e a primeira vez também que é uma mulher a ganhar à geral.

 

 

As provas com o Luís Santa Barbara e o seu Datsun 1200, têm sido por pura diversão e “fairplay”, sendo também das ocasiões que mais me tenho divertido sem stress algum.

 

 

AMMA: Com esta sua vasta carreira, com os pontos altos que tem alcançado e a determinação para superar os menos bons, o que gostava de dizer aos nossos leitores, tanto os apaixonados pela modalidade, como os que querem iniciar o seu percurso nela?

 

RS: Nunca desistam de ir atrás dos vossos sonhos e daquilo em que acreditam.

 

Talvez por isso e porque nunca desistir de nada na vida, andando sempre atrás dos meus sonhos, ainda vou conseguindo alguns resultados mesmo depois de estar longos períodos parada e sem ritmo.

 

Texto: Pedro MF Mestre

 

Fotos: Pedro MF Mestre e Kezman Ferreira (Arquivo AMMA)

Arquivo pessoal de Rosário Sottomayor


 

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segunda-feira, 10 de maio de 2021 – 04:20:58

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